No trabalho
By Cláudio

No trabalho

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Alguns são como o carrinho de mão:

Precisam ser empurrados para trabalhar

Alguns são como a canoa:

Só andam a remo.

Alguns são como a bola de futebol:

Ninguém sabe a direção que tomam.

Alguns são como a bateria:

Descarrega sem nenhuma energia

Alguns são como o clima:

Instáveis e mutáveis.

Alguns são como o binóculo:

Só pode ver o trabalho a distância

Alguns são como o sol:

Iluminam sem ficar cobrando benefícios

Alguns são como as árvores:

Produzem flores e frutos.

Redação de um aluno da 5ª série

Obs.: encontrei-a em uma caçamba próximo à minha casa.

Meu comentário:

O lugar desta poesia não era a caçamba, mas sim, aqui, num texto em uma revista educativa que vai atingir milhares de pessoas. Resumindo esta obra prima, podemos usar uma só palavra: PROATIVIDADE

Trazendo esta realidade para o nosso universo do tratamento, assistimos dependentes e familiares como o carrinho de mão (só se trata se empurrar), como a canoa, só navega para os grupos de apoio se remar. Outros são como a bola de futebol que vai para onde os outros chutam e vários estão com a bateria arriada porque perdeu as esperanças de mudar de vida.

Outros são como o clima no tratamento, ou seja, instáveis e mutáveis. Não são consistentes. Começam animados e logo depois desistem.  Poucos conseguem ser como o sol, se iluminam e iluminam os passos de outros companheiros sem cobrar nada em troca.

Menos ainda são aqueles que se parecem com árvores, dão frutos para alimentar os espíritos dos outros e flores para embelezar seus caminhos.

Ser proativo é assumir o seu compromisso com a sua vida, com o seu tratamento e com a conquista da sua sobriedade. A partir daí, construir e desenvolver sua responsabilidade social com todos aqueles que estão sofrendo com estas doenças (familiares e dependentes químicos)

Cláudio Martins Nogueira – Psicólogo clínico – Especialista em Dependências e codependência

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  • 04/09/2026