No trabalho
Alguns são como o carrinho de mão:
Precisam ser empurrados para trabalhar
Alguns são como a canoa:
Só andam a remo.
Alguns são como a bola de futebol:
Ninguém sabe a direção que tomam.
Alguns são como a bateria:
Descarrega sem nenhuma energia
Alguns são como o clima:
Instáveis e mutáveis.
Alguns são como o binóculo:
Só pode ver o trabalho a distância
Alguns são como o sol:
Iluminam sem ficar cobrando benefícios
Alguns são como as árvores:
Produzem flores e frutos.
Redação de um aluno da 5ª série
Obs.: encontrei-a em uma caçamba próximo à minha casa.
Meu comentário:
O lugar desta poesia não era a caçamba, mas sim, aqui, num texto em uma revista educativa que vai atingir milhares de pessoas. Resumindo esta obra prima, podemos usar uma só palavra: PROATIVIDADE
Trazendo esta realidade para o nosso universo do tratamento, assistimos dependentes e familiares como o carrinho de mão (só se trata se empurrar), como a canoa, só navega para os grupos de apoio se remar. Outros são como a bola de futebol que vai para onde os outros chutam e vários estão com a bateria arriada porque perdeu as esperanças de mudar de vida.
Outros são como o clima no tratamento, ou seja, instáveis e mutáveis. Não são consistentes. Começam animados e logo depois desistem. Poucos conseguem ser como o sol, se iluminam e iluminam os passos de outros companheiros sem cobrar nada em troca.
Menos ainda são aqueles que se parecem com árvores, dão frutos para alimentar os espíritos dos outros e flores para embelezar seus caminhos.
Ser proativo é assumir o seu compromisso com a sua vida, com o seu tratamento e com a conquista da sua sobriedade. A partir daí, construir e desenvolver sua responsabilidade social com todos aqueles que estão sofrendo com estas doenças (familiares e dependentes químicos)
Cláudio Martins Nogueira – Psicólogo clínico – Especialista em Dependências e codependência