Dor na alma
By Cláudio

Dor na alma

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Meu nome é Cláudio André, mas nem sempre me vali dele. Antigamente, meu nome pouco era usado, tinha alguns adjetivos, tais como, pinguço, Noia, desmancha rodinhas, etc. Até aí, minha história se confundia a qualquer frequentador assíduo de bares.

Mas a realidade, o sentimento incubado na alma, era um incessante pedido de socorro, uma ajuda que a minha doença impedia de estar recebendo. Um grito, muitas vezes, inaudível, que rompia a penumbra noturna, mas me transpassava o coração, pouco usado, digo de passagem.

A minha infância, gosto de citar, foi extremamente conturbada, alternava entre brigas e bebedeiras de meus progenitores. Havia coisas “boas”, ganhava jogos de última geração, carros de corrida remotos, tudo que uma criança deseja, tinham tudo, menos o AMOR.

Vim a descobrir esse amor mais tarde, através da Igreja Pentecostal na minha adolescência. Eu frequentava para escapar da dura realidade que me consumia. Era uma alegria inarrável. Logo após, mudamos para Belo Horizonte. Tudo aquilo que “parecia” bom para um jovem de minha idade me seduziu: a farra, a necessidade de me agrupar com as pessoas dos grupinhos, o uso do álcool e do cigarro já começou aos 14 anos. Antes, o que era uma alegria momentânea se transformou em “meu refugio”, uma forma de me afastar da realidade, das brigas e confusões que eu nunca houvera criado, mas sentia que tinha que assumir a situação, mas não sabia como. Foi neste contexto que conheci a maconha e a cocaína. Eu me casei com 17 anos, bem prematuro e confuso, mais uma forma de tapar o sol com a peneira. Pouco tempo depois eu conheci o fundo do poço. Minha drogadição havia progredido e se tornado “dependência”, mas na época eu não percebia isto.

Fui internado quase a força em 2004 já com meus 32 anos. Aí sim vim a descobrir essa tal da ADICÇÃO (latim=escravo de), que devastara minha vida. Descobri uma doença, pouco compreendida entre nós. Além disto, a sociedade nos isola por preconceitos. As pessoas não sabem, mas a dependência química é uma doença física, psicológica, espiritual, recorrente, gradual e com fins fatais. Eu estava me matando e matando as pessoas que me amavam, pois ataca todo o entorno do dependente, arrancando-lhe toda perspectiva de vida e a força vital. As drogas evoluem a cada dia, elas matam, roubam e destrói.

Mas vamos à parte boa da história. Conheci a recuperação, uma nova forma de viver realmente. Sou muito feliz e grato a Deus, a essas instituições como a Família de Caná e a este incrível órgão de divulgação que é o Jornal CRIAR-T VIDA que procura conscientizar o doente e a sua família que ainda sofre e que as vezes, quase desiste dessa vida tão preciosa para Deus.

Obrigado a todos, principalmente a equipe do jornal CRIAR-T VIDA pelas matérias direcionadas quanto a dependência, esse mal que provoca a “Dor na alma”…

Isto é um pouquinho da minha vida e do meu encontro com DEUS…

Meu nome é Cláudio André, mais um adicto em recuperação que está limpo só por hoje.

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  • 19/09/2026