Os doze passos dos Neuróticos Anônimos – parte 01
Dirigem a vida do indivíduo que deseja recuperar-se
Primeiro Passo – Reconhecimento: “Admitimos que éramos impotentes perante nossas emoções – que tínhamos perdido o domínio sobre nossas vidas.”
Nós, neuróticos, somos em geral quase sempre guiados, desde pequeno, por certos preceitos que aprendemos com nossos pais, com nossos professores e com muitos outros adultos. “Tenha personalidade, seja forte”, diziam-nos. “Lute pelas coisas que deseja. E nunca se dê por vencido”. Ninguém, entretanto, nos explicou que nem todo desejo pode aceitar esse desfecho com naturalidade. O resultado é que sempre lutamos para ver os nossos desejos realizados e, quando não obtemos êxito, em vez de aceitarmos serenamente esse fato, sentimos, ao contrário, uma grande frustração.
Com o passar dos anos, nossas frustrações se multiplicam e se convertem em estados de depressão. Ficamos com raiva quando ao conseguimos as coisas que queremos. Gritamos, revoltamo-nos, xingamos, choramos. E o resultado é sempre o mesmo: depressão.
Usamos de muitos subterfúgios para podermos impor a nossa vontade e conseguir o que teimosamente desejamos. Às vezes, “ficamos doentes” só para que os outros sintam pena de nós e cedam aos nossos desejos. Quantas e quantas vezes forçamos inconscientemente as lágrimas a fim de que os demais venham em socorro dos “coitadinhos” que julgamos ser!
Mesmo assim, nem sempre conseguimos resultado e, quando isso se verídica, surge a depressão. Podem aparecer também os sintomas psicossomáticos, tais como dores de cabeça, palpitações, falta de ar, insônia, etc… Tornamo-nos cada vez mais nervosos, angustiados, insatisfeitos e deprimidos.
Achamos que o nosso estado emocional se deve ao fato de a nossa vida ser um inferno. e a culpa, a nosso ver, cabe às pessoas que nos cercam e aos problemas que surgem de todos os lados. Somos vítimas de um destino cruel, injusto. Não nos parece justo termos de suportar tanto sofrimento: uma esposa ou um marido incompreensivo, filhos desobedientes, um chefe explorador, má sorte no fogo, situação financeira sempre precária, despesas e mais despesas com o carro, e assim por diante. Convencemo-nos de que qualquer pessoa com tamanha carga de problemas sentir-se-ia também tão frustrada quanto nós e lutaria da mesma forma para ser feliz.
Quando ingressamos em “NA”, porém, começamos a ver tudo isso através de um novo prisma. Descobrimos que não é por causa desses “infortúnios” que nos sentimos nervosos, frustrados, deprimidos. Muito ao contrário. Passamos a perceber que esses “infortúnios” é que são provocados pelo fato de sermos nervosos, frustrados e deprimidos. Mais importante ainda é compreendermos que a nossa infelicidade crônica não se deve à nossa incapacidade de conseguirmos as coisas que desejamos. Deve-se, isto sim, a nossa incapacidade de vivermos sem as coisas que não conseguimos obter. Começamos, então, a aprender que devemos aceitar com serenidade as coisas que não podemos modificar.
Com essa nova atitude, nossas frustrações vão aos poucos desaparecendo. Vamos nos libertando da angústia e do nervosismo. Começamos também a não sentir mais depressões. Acima de tudo, constatamos que, para nos curarmos da doença emocional, é da máxima importância reconhecermos que somos impotentes perante nossas emoções e deixarmos de lutar tão desesperadamente para obter tudo o que desejamos. É nessa luta inglória que nos leva ao desequilíbrio emocional. Aprendemos, assim, que a vitória sobre os problemas causados por esse desequilíbrio nasce justamente da nossa total rendição a essa evidência.
Literatura do NA (Neuróticos Anônimos)