O caminho
O caminho que escolhi
é o caminho do amor,
Não importam as dores,
as angústias,
nem as decepções.
Escolhi ser verdadeira.
No meu caminho,
o abraço é apertado,
o aperto de mão é sincero.
Por isto, não estranhe
a minha maneira de sorrir
e de te desejar tanto bem.
Eu sou aquela pessoa
que acredita no bem,
que vive no bem
e que anseia o bem.
É assim que enxergo a vida
E é assim que acredito
que vale a pena viver.
Clarice Lispector
Meu comentário:
Para aqueles que convivem ou trabalham com dependentes na ativa é fundamental ter estes princípios ao longo do caminho.
Precisamos entender a famosa frase do Freud: “O excesso denuncia uma grande falta”. O adicto (seja do que for) possui uma falta enorme que eles chamam de vazio existencial.
A principal delas sem dúvida é uma carência afetiva enorme que só pode ser preenchida pelos caminhos do amor, ou seja, pelo abraço apertado, pela atenção sem medida e pelo sorriso caloroso que demonstra a alegria da sua presença.
Abordagem muito técnicas, teorias sem fim e discursos prolongados carregados de preconceitos, lições de moral e de culpa não acrescenta nada no processo de recuperação e tratamento.
Precisamos separar a doença do doente. Enquanto tudo tiver misturado, não conseguimos ajudar ninguém. O doente manifesta sintomas da doença. Ele não é a doença. Uma vez sanado os sintomas da doença através do tratamento, ele passa a ser a pessoa maravilhosa que ele sempre foi.
Assim, viver a vida acreditando e ansiando sempre o bem é mais saudável. É assim que devemos enxergar a vida, a nós mesmos e nosso ente querido que esta desenvolvendo alguma dependência.
No meu trabalho de atendimento a familiares e dependentes químicos procuro seguir este caminho do amor apontado por esta grande poeta. Abraçar o dependente e sua família com um sorriso nos lábios. Ter empatia com suas dores e sofrimentos, passando o otimismo do tratamento e na recuperação é essencial para o sucesso tão sonhado da sobriedade.
Claudio Martins Nogueira – Psicólogo Clínico
Especialista em dependências e codependência