Um abraço do inimigo
Certa vez, um soldado foi para a guerra muito armado e bastante preparado para matar o inimigo. Levava consigo um forte armamento, além de água e mantimentos para enfrentar o desafio do campo de batalha. Determinado para matar foi avançando contra os seus inimigos até que tropeçou em algo no meio da mata. No princípio pensou que teria sido vítima de uma armadilha do inimigo, quando se deparou com um soldado do inimigo ferido e agonizando ali no chão. Imediatamente ele se levantou e apontou seu fuzil para mata-lo quando foi surpreendido:
– Por favor, tenha piedade de mim! Não me mate e me dê um pouco da sua água!
Sem pensar, o corajoso soldado abaixou a arma e pegou seu cantil e deu-lhe da sua água.
O soldado inimigo agradeceu-lhe de coração e lhe desejou boa sorte e foi embora de encontro aos seus companheiros.
Envergonhado da sua boa ação, o jovem soldado continuou sua caminhada em direção aos seus inimigos. Novamente, foi surpreendido por um tiro na perna. Ferido e sem possibilidade de andar ou correr, buscou refúgio em uma caverna. Ele perdia muito sangue e não tinha socorro à vista. Tentou estancar o sangue com sua própria roupa, mas não resolveu o problema. De repente escutou um barulho de pessoas andando. Sua esperança era que fosse seus amigos que estavam atrás dele. Quando os dois soldados entraram na caverna eram do exército inimigo. Quando um dos soldados já iria lhe matar, o seu colega abaixou sua arma, aproximou um pouco mais e reconheceu seu inimigo. Sem falar nada, ele simplesmente abriu sua maleta de emergência, estancou o sangue e deu-lhe de beber e compartilhou com ele seus mantimentos. Ao final, eles se levantaram e só neste momento o soldado explicou para seu colega:
– Companheiro, este “inimigo” teve a chance de me matar a poucas horas e não o fez. Agora nós também tivemos a chance de mata-lo. Estou apenas retribuindo a gentileza dele, ok? E com um abraço, se despediu do seu inimigo.
Colaboração: Gilson Medina
Adaptação: Cláudio Martins Nogueira