Uma mão lava a outra
Outro ditado popular muito usado durante a centena de anos é este: “uma mão lava a outra”. O que podemos aprender com ele? Já em várias oportunidades falei sobre ele de maneiras diferentes. Toda relação saudável é uma relação de mão dupla, ou seja, a lei universal de dar e receber deve ter os dois sentidos. Em um determinado momento estamos em condições de dar e, em outros, estamos necessitando de receber. Quando isto não ocorre estamos diante um desequilíbrio das relações afetivas ou mesmo profissionais.
Hoje em dia, é possível perceber que a convivência humana esta se tornando cada vez mais difícil devido a negligência deste fundamento tão básico. Movidos pela famosa lei do Gerson “eu gosto de levar vantagem em tudo”, à sociedade envereda pelos caminhos do egoísmo. Assim, o ser humano se aproxima do outro apenas para explorá-lo, para tirar vantagens desta relação.
Exemplo clássico disto é a relação do dependente com o codependente. O primeiro, embalado pela sua doença começa a olhar os codependentes apenas como os provedores da sua adicção. O dependente muitas vezes utiliza todos os artifícios possíveis para tirar dos familiares o necessário para atingir seus objetivos. Envolvido com sua fragilidade emocional, o codependente deixa ser dominado por esta pressão psicológica e se torna uma presa fácil para alimentar a doença do dependente.
Da mesma maneira, muitos casais estruturam suas relações desta forma, levando inevitavelmente ao fracasso delas. Uma mão lava a outra convida todos nos a compartilhar nossas experiências com os outros, alimentando assim o espírito de solidariedade, de companheirismo e auxílio mútuo.
No meio comercial hoje é considerado um bom negócio quando ambas as partes foram beneficiadas com a negociação. Se somente um lado saiu ganhando, mesmo que o lucro foi compensador no curto prazo, no longo prazo foi um péssimo negócio.
A corrupção, a destruição dos recursos naturais, a violência, a ganância, a ansiedade, a depressão e tantos outros problemas que enfrentamos nos dias atuais têm como pano de fundo a não observância deste ditado.
Cabe então aqui uma simples pergunta: Como esta sua relação com o próximo? Boa reflexão para este mês.
Cláudio Martins -psicólogo clínico