Dependência química: ajudando quem não quer ajuda
Há mais de 90 anos salvando vidas do alcoolismo, o grupo de AA (Alcoólicos Anônimos) tem um princípio básico que somente quando o alcoólico quer parar de beber, ele terá condições de abandonar o vício.
Longe de questionar este princípio, este texto vem ampliá-lo, possibilitando uma maior compreensão do leitor, especialmente daqueles que convivem com o drama de ter um dependente químico na família e que não admite que precise de ajuda.
O que fazer diante desta situação? Ficar de camarote assistindo e participando da degradação humana de um ente querido? Ou tomar uma atitude mais ativa diante de uma situação tão deprimente?
Faz parte da “doença” da dependência química o “doente” sempre acreditar que pára de usar quando bem entender. Acha, ou melhor, tem a certeza que sabe o que está fazendo.
A droga, ao contrário do que todos imaginam, não é o “problema” mas sim a “solução” mais fácil e imediata para aliviar a dor de existir.
No linguajar técnico da psicologia, poderíamos dizer que o adicto não tem demanda de tratamento, ou seja, ele não quer e não acha que precisa dela. Somente quando o adicto começar a sofrer as conseqüências negativas do abuso da droga é que ele aceitar e pedir ajuda submetendo a um tratamento.
Então, por mais contraditório e paradoxal que pareça, a família deve se preparar para levantar o “fundo do poço”, ou seja, não facilitar as coisas para o adicto continuar usando a droga. Quando ele começar a sofrer as conseqüências negativas da droga sem o auxílio dos codependentes, ele não terá outra alternativa a não ser procurar ajuda. Aí sim, o adicto vai aceitar ir a um especialista, nos grupos de apoio e até mesmo internar numa comunidade terapêutica se for necessário.
Portanto, se você quer ajudar um adicto que não quer ser ajudado, não ajude. A dependência química possui esta grande contradição: “você ajuda quando não ajuda e atrapalha quando ajuda”. Somente quando os codependentes deixam de “financiar” o dependente químico na droga, este vai buscar o tratamento.
Para conseguir isto, os codependentes devem buscar o tratamento primeiro e aprender a grande lição de ajudar não ajudando.
Cláudio Martins Nogueira
Psicólogo Clínico