Príncipe ou sapo?
Certa vez existia um Rei muito bondoso e carinhoso que se casou com uma mulher muito malvada. Envolvida com feitiçaria vivia fazendo porções mágicas para prejudicar as pessoas. Quando ela se tornou rainha, sua maldade tomou ares de torturas. O pobre rei ficava a mercê de suas imposições e desmandos. O Rei tinha um filho muito prodígio, inteligente e esperto. Logo percebeu que seu pai tinha feito um péssimo casamento. O jovem começou a questionar sua madrasta, discordando dela e tentando abrir os olhos do pai. Mas todo o seu esforço foi em vão. O ódio da madrasta se voltou para seu enteado. A rainha foi preparar um chá com raízes maléficas e encontrou uma maldição nos livros antigos de feitiçaria. Não pensou duas vezes e foi logo preparando sua porção e deu um jeito de servir ao príncipe. Em poucos dias ele se tornou um sapo.
Logo que os criados do castelo viram o sapo no quarto eles providenciaram jogá-lo lá fora no brejo. O príncipe que agora tinha virado sapo foi rejeitado por todos. Mesmo ele tentando falar para os outros que ele era o príncipe, ninguém acreditava.
Passaram alguns meses, o sapo príncipe, foi em busca de alguém para reconhecê-lo. Lembrou-se de uma princesa do reino vizinho. Somente ela poderia ter a sensibilidade de ouvi-lo. Foi pulando, pulando até conseguir chegar ao seu jardim. Sabia que a jovem princesa costumava passear ali todas as tardes.
No mesmo dia, a princesa assentou no banco do jardim para ler um livro quando escutou um barulho longe. Alguém gritava por ela, mas ela não conseguia ouvir. Até que percebeu que logo abaixo do banco tinha um sapo gritando, falando o seu nome e pedindo para ela acreditar nele.
A princesa sem questionar nada, pegou seu sapo, colocou-o na sua bolsa e foi direto para o seu quarto. Com muita dificuldade ela escutou o sapo, ou melhor, o príncipe. Segundo ele, a sua madrasta falou que somente um beijo de amor poderia desfazer o feitiço. Como ninguém acreditaria e nem amaria um sapo, o feitiço era o ideal para a situação. A princesa, movida pelo seu grande amor pelo seu jovem príncipe não pensou duas vezes. Beijou o sapo que imediatamente voltou a ser príncipe. E os dois descobriram o verdadeiro amor e foram felizes para sempre.
Assim deve ser o amor. Não deve ficar preso as aparências, e sim, às essências. Como Deus que vê o príncipe mesmo que ele esteja escondido na carcaça de um sapo, nós também deveríamos olhar nosso próximo desta maneira. O mundo seria melhor se fosse assim.
Cláudio Martins Nogueira – psicólogo clínico