Minhoca ou chantilly?
Um livro que marcou minha juventude foi “Como fazer amigos e influenciar pessoas”. Uma passagem que nunca esqueci foi à seguinte afirmativa do autor: “Eu amo chantilly, mas quando eu vou pescar eu levo minhoca”. Segundo meu entendimento, o autor chama a nossa atenção para algo muito comum nas relações humanas. Como gostamos de chantilly queremos e achamos que todo mundo tem que gostar. Seria como oferecer chantilly para os peixes. Insistimos com convicção de como o chantilly é gostoso e que o outro tem que gostar também.
Isto é comum de acontecer nas relações pais e filhos. Pais que adoram ir à igreja, a casa de familiares, ao teatro, ao cinema, etc. querem a todo custo à companhia dos seus filhos. Conflitos intermináveis poderiam ser eliminados se ambos entendessem isto.
Com certeza muitos pais iriam obter mais sucesso na relação com seus filhos se observassem quais são as minhocas que eles gostam. De posse desta informação, o próximo passo é respeitar este gosto peculiar do filho e em seguida, na medida do possível tentar compreender esta escolha. Com esta atitude os filhos teriam uma tendência de aceitar o “chantilly” dos pais.
Evidentemente, esta analogia tem suas limitações nos valores culturais da família e da sociedade como um todo. Por exemplo, se os filhos gostam da “minhoca” droga, atos ilegais, violência e agressões físicas ou morais, evidentemente os pais não devem aceitar este tipo de atitude. Cabe aos pais mostrar os riscos destas escolhas e tentarem conduzir seus filhos para os princípios éticos e morais da família. Caso os mesmos não aceitem estes princípios, ainda assim os pais devem respeitar suas decisões, porém jamais devem colaborar com as mesmas. Fica ai mais uma dica.
Cláudio Martins Nogueira – Psicólogo clínico