Em busca do amor dos pais – parte 9
Os pais e o olhar da psicologia –
Carl Rogers – A humanidade dos pais
Uma abordagem humanista
O psicólogo Carl Rogers desenvolveu uma abordagem na psicologia que foi denominada como humanista. Para ele, o processo terapêutico deveria se concentrar na pessoa do paciente. Sua visão otimista do ser humano contrasta com a visão realista (ou pessimista para alguns) de Freud (psicanálise) e do Skinner (abordagem comportamental).
Para Rogers, o terapeuta não tem o papel de “curar” ou “consertar” o seu paciente, mas sim, de criar um ambiente capaz de proporcionar uma escuta compreensiva onde o melhor do paciente venha floresça. Ele acreditava na bondade do ser humano.
Apesar de Rogers não abordar diretamente a importância dos pais neste processo de humanizar seus filhos, podemos perceber, baseados na sua teoria, que a relação pais e filhos é fundamental para que isto possa ocorrer.
Vamos então refletir o papel do terapeuta e dos pais, ressaltando é claro as limitações e potencialidades de cada um neste contexto relacional.
Os pilares para a construção de uma relação terapêutica, segundo Carl Rogers são:
- Congruência ou autenticidade: O terapeuta deve ser coerente entre a sua fala, sua escuta e seus sentimentos. Ele não deve esconder nada do seu paciente. Trazendo isto para o universo familiar, os pais devem também ser o mais honesto possível com seus filhos. Devem falar dos seus anseios, receios e dúvidas, porém sem expor demais seus problemas para os seus filhos. Para isto, eles devem procurar seu terapeuta e os grupos de ajuda para tratar dos seus próprios traumas.
- Consideração positiva incondicional: O terapeuta deve aceitar o paciente incondicionalmente, sem nenhum tipo de julgamento. Ele deve valorizar o seu paciente em sua totalidade, de maneira integral considerando seus sentimentos, dificuldades e experiências acumuladas ao longo da sua vida. De maneira análoga, os pais devem aceitar seus filhos como são e não como eles idealizaram. Não julgar os filhos e tentar compreendê-los são ferramentas muito eficazes para ajuda-los, até mesmo para encaminhá-los a um tratamento especializado.
- Compreensão empática: Empatia vai além da compreensão. Ela é a tentativa do terapeuta entender o universo do paciente a partir do olhar do próprio paciente. É se colocar na “pele” do outro. Os filhos ao perceberem que seus pais também possuem esta empatia para com suas angústias e dificuldades, se sentem seguros e valorizados, melhorando assim consideravelmente a relação com eles e com toda a família.
- O Self (Eu) e a Personalidade: Para Rogers, a personalidade está em constante formação e evolução centradas no SELF, ou seja, a percepção que o sujeito tem de si mesmo. O Self recebe influências pelas experiências do sujeito ao longo da vida (mundo externo, visão da pessoa sobre este mundo e o conflito entre seu self ideal e o real). Assim, os pais possuem um papel fundamental na formação deste SELF dos seus filhos, já que eles são os principais formadores destes três aspectos que Rogers consideram importantes na formação da personalidade dos filhos.
Portanto, os conceitos humanistas e de compreensão ressaltado por Carl Rogers podem e devem ser utilizados pelos pais na relação com seus filhos. Para que isto ocorra, não é difícil perceber a importância destes pais passarem por um processo de psicoterapia com a finalidade de, além de tratar seus próprios traumas, estabelecer um processo de autoconhecimento e autotransformação.
Continua na próxima edição
Claudio Martins Nogueira – Psicólogo Clínico – Especialista em dependência química e codependência.