A doença da falta da fala
By Cláudio

A doença da falta da fala

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Uma das características da doença da dependência química é a necessidade do adicto em começar a falar. A sociedade contemporânea, apesar de ser o mundo dos meios de comunicação, cada vez mais isola o homem do homem. No seio da família assistimos os filhos e os pais ilhados nos seus quartos, voltando sua atenção para o computador, para o celular, para a TV e para jogos eletrônicos.

Assim, o isolamento social no lar vai facilitar o silêncio das questões afetivas e emocionais. As drogas legais ou ilícitas entram neste contexto como uma forma de fugir deste vazio social, deste isolamento. De alguma maneira ela, no curto prazo, ajuda na socialização, na humanização do ser humano. Sobre o efeito destas substâncias, a pessoa fica mais comunicativa, abraça, beija, ri, canta, dança e tem uma sensação de pertencimento a um grupo, de amar e ser amado.

Porém, na medida em que o organismo vai se acostumando com a droga, ele passa a sentir a necessidade de mais drogas e drogas cada vez mais fortes para obterem a mesma sensação prazerosa. Quando a questão emocional se associa a uma predisposição orgânica para desenvolver a doença, aí se instala a dependência química.

Portanto, o tratamento desta doença consiste em criar condições para este doente falar das suas angústias, das suas dores, da sua vida. Este com certeza é um dos maiores segredos dos grupos anônimos. A chamada “Palavra Franca” é uma grande oportunidade do homem se conhecer e ir de encontro ao outro sem drogas.

Outra forma de fazer falar este doente é através da psicoterapia. O psicólogo tem como uma de suas prerrogativas o escutar o sofrimento psíquico. Ele é preparado para ouvir e ajudar o sujeito a entender o que passa consigo mesmo. Desta maneira, este profissional pode ajudar o dependente químico a trazer para a fala sua dor de existir, evitando desta forma aquilo que os psicanalistas chamam de “passagem ao ato”, ou seja, no caso especifico do adicto, voltar a fazer o uso abusivo de drogas e outras coisas mais.

 Se o dependente químico e seus familiares não conseguirem este espaço da fala há uma grande probabilidade dele voltar ao uso da droga e de forma abusiva. O ideal é associar a psicoterapia com os grupos de ajuda mútua e, em alguns casos, o acompanhamento de um psiquiatra para amenizar as crises de ansiedade, depressão e fissura. Importante ressaltar que a família deve também deve se envolver no tratamento, afinal, ela também adoeceu com a co-dependência, doença semelhante à dependência, portando, tendo o tratamento muita semelhanças, inclusive a necessidade de falar.

Cláudio Martins –  psicólogo clínico

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  • 06/07/2026