Reciclem
Raul Seixas fez muito sucesso com a música metamorfose. Na letra tem uma frase muito interessante: “Eu prefiro ser esta metamorfose ambulante a ter aquela velha opinião formada sobre tudo”. Eu costumo sempre dizer que “a única coisa que permanece é a mudança.” Ao longo da vida passamos por várias experiências, boas e ruins. Lidamos com conquistas e perdas e cada uma delas possui significados diferentes e lições específicas. Em se tratando da arte de educar os filhos sem sombra de dúvida esta metamorfose é necessária para os pais.Em cada fase do desenvolvimento humano é preciso fazer uma reciclagem de qual é o papel dos pais.
Na fase de bebê a função dos pais é o cuidado em tempo integral. Na fase da primeira infância (02 a 06 anos), o cuidado passa a ser secundário e a questão afetiva, a atenção, o contar história e o brincar são o mais importantes.
Na segunda infância (06 a 11 anos), a socialização fora da família começa acontecer. Os jogos de tabuleiro, o esporte coletivo, a necessidade de autoafirmação e a busca do amor do outro se torna essencial. É neste momento que começa o deslocamento da atenção da criança dos pais para os colegas.
Na pré-adolescência (12 a 14 anos), a busca de uma identidade vai gerar o questionamento dos valores paternos. A recusa à obediência é comum nesta época e as discussões se tornam rotina.
Na adolescência (15 a 19 anos), o anseio pela independência emocional, afetiva, social e econômica em relação aos pais é enorme. O conflito se agrava se os pais não reciclarem suas opiniões e não levarem em consideração as mudanças normais do desenvolvimento humano. Portanto, reciclem papais.
Cláudio Martins Nogueira – psicólogo clínico