O louro José
Uma idosa senhora acabara de perder seu amado marido. Sozinha, longe de seus filhos, teve uma brilhante ideia de adquirir um animal de estimação. Pensou em um cachorro, mas lembrou de seus latidos na madrugada e a dificuldade de coloca-lo dentro da sua casa, afinal, ela morava em um apartamento. Pensou em um gato, mas lembrou de seus móveis e do estragado que ele poderia provocar aos mesmos. Diante destas dificuldades desistiu imediatamente.
Mas a solidão era tanta que ela resolver ir até o mercado e conversar com o vendedor de animais sobre qual a sua sugestão. Chegando lá, o vendedor ouviu atentamente e sem duvidar foi logo dizendo:
– Dona Maria, eu sei como resolver o seu problema. Venha cá.
Adentraram para o fundo da loja encontrou um papagaio escondido em uma gaiola. E com convicção apresentou o louro José para a dona Maria:
– Esta é uma ave raríssima nas redondezas. Ela veio de longe. Além de bela é uma excelente companhia porque ela conversa com seu dono, além de ocupar pouco espaço em sua casa.
Encantada, dona Maria foi logo perguntando:
– Sr. João, quanto vai me custar este pássaro tão belo?
Com segurança, seu João foi taxativo:
– Só R$ 2.000,00
Quase que a carente viúva foi fazer companhia para o marido. Questionou o preço e o seu João respondeu:
– Dona Maria, uma companhia não tem preço. Já imaginou todas as manhas a senhora vai ter com quem conversar, além de ocupar sua mente cuidando de uma bela ave como esta?
Convencida, Dona Maria preencheu o cheque. Ao longo do caminho já começou a pegar afeição aquele inocente pássaro. No dia seguinte, ela foi correndo falar com a sua mais nova companhia e, bastante meiga deu bom dia ao seu amigo.
O Loiro José nada falou. Ela foi atrás do vendedor. O Seu João foi logo perguntando:
– onde a senhora o colocou?
Na mesma gaiola que o senhor me vendeu, uai! O vendedor respondeu:
– Este é oproblema. Eu devo ter esquecido de falar para a senhora que ele precisa de um viveiro como este aqui. Dentro dele ele vai falar. O preço é só R$ 1.000,00
Dona Maria quase desmaiou. Mas já afeiçoada com o bicho, preencheu o cheque.
Assim a história se repetia. Tudo que dona Maria fazia para o louro José falar não funcionou. O vendedor sempre arrumava alguma coisa material para vender para a infeliz senhora. Até que uma manhã, o louro José falou:
– Nesta loja não tem comida? E num só tombo, o Louro José veio a falecer.
Moral da história: assim é a vida. Às vezes nos preocupamos com coisas supérfluas e negligenciamos o essencial.
Autor desconhecido – adaptação de Cláudio Martins Nogueira – psicólogo clínico