Em busca do amor dos pais – parte 8
- Os pais e o olhar da psicologia –
- Carl Jung e os arquétipos do pai e da mãe.
Antes de refletir sobre estes importantes arquétipos pai/mãe, é necessário definir o que seria arquétipos. Na essência são “formas primordiais e universais de pensamento, sentimento e ação. Eles não são ideias ou conceitos criados pela mente individual, mas sim padrões inatos e herdados que residem no inconsciente coletivo, uma camada mais profunda da psique, comum a toda a humanidade”.
Jung aprofunda as reflexões de Freud sobre o inconsciente dividindo o mesmo em dois: um inconsciente pessoal amplamente estudado por Freud e o inconsciente coletivo, conceito inaugurado por ele.
Enquanto o inconsciente pessoal se resume a experiência do sujeito no mundo, o coletivo amplia a formação deste inconsciente no contexto coletivo da sociedade e do mundo como um todo.
No arquétipo do pai vimos um pai ideal carregado de significado simbólico que transcende as experiências individuais das pessoas. Para Jung, o arquétipo de pai ajuda na formação da personalidade do sujeito, introduzindo o mesmo na disciplina e na lei, formando assim o seu caráter. Quando o arquétipo do pai é negativo ou ausente, a criança terá dificuldades em inserir no meio social, podendo ter comportamentos de rebeldia e antissociais como uso abusivo de substancias, marginalização e até mesmo alguns sintomas de transtorno mental.
A introdução do arquétipo do pai ajuda a criança e adolescente a amadurecer no seu processo de individuação, encontrando neste arquétipo uma direção e referência para um futuro equilíbrio emocional e pessoal capaz de prepara-lo para viver em sociedade.
Assim, o sujeito vai se preparando para viver num mundo recheado de limites e consequências. Quando o pai não entra ou se ausenta, é natural da criança procurar este arquétipo em alguém que consiga exercer este papel. Avós, padrastos, tios ou irmãos mais velhos são os substitutos mais comuns, mas é possível perceber outros homens que acabam ocupando este lugar como professores, colegas mais velhos ou mesmo um traficante de drogas. Conforme o arquétipo do “pai” disponível, teremos resultados diferentes na formação da personalidade do sujeito.
Vale ressaltar que, de acordo com Jung, o arquétipo do pai, assim como todos os outros, recebe influência do inconsciente coletivo, ou seja, como uma determinada cultura coloca este pai neste contexto social. Dentro desta perspectiva é possível afirmar que o pai e seus representantes mencionados acima são fundamentais na individuação de cada sujeito.
No arquétipo da mãe encontramos a grande mãe, aquela que dá a vida e vai garantir a vida a esse bebê tão frágil. No inconsciente coletivo este arquétipo da grande mãe coloca a mesma como a provedora de todas as necessidades deste sujeito. Nesta mãe idealizada não existe falta, não existe limites e o rei bebê tudo pode. Para Jung, esta mãe divina pode prejudicar o desenvolvimento deste bebê se ela continua neste lugar de deusa. A necessidade do crescimento e de autonomia do sujeito vai entrar em conflito com esta proteção e excesso de controle, gerando conflitos intermináveis entre mãe e filhos.
Portanto, assim como Freud, Jung coloca os pais como fundamentais na formação do ser humano. Cabe as mães e aos pais descobrirem seus papéis na vida de seus filhos, sabendo o melhor momento da proteção e provimento da mãe e o limite e autonomia dos pais.
Continua na próxima edição
Claudio Martins Nogueira – Psicólogo Clínico – Especialista em dependência química e codependência.