Capítulo 2 – parte 04
By Cláudio

Capítulo 2 – parte 04

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A história de Bill – Co-fundador do AA (Alcóolicos Anônimos)

Está sempre bêbado, num grau maior ou menor de loucura. Seu temperamento, quando bebe, lembra muito pouco sua verdadeira natureza. Pode tratar-se de uma das melhores criaturas do mundo. Porém, deixe que beba um dia todo e ele, na maioria das vezes, se tornará desagradável e até mesmo perigosamente antissocial. Tem a incrível capacidade de se embriagar exatamente na hora errada, sobretudo quando precisa tomar uma decisão importante ou cumprir um compromisso. Com frequência, é absolutamente sensato e equilibrado em relação a tudo, menos ao álcool. Nesse ponto, é incrivelmente desonesto e egoísta. Em geral, possui talentos, aptidões e habilidades especiais e tem uma promissora carreira diante de si. Faz uso destes dons para construir uma brilhante perspectiva para sua família e para si mesmo e, então, põe tudo a perder num impulso, com uma série absurda de bebedeiras. Ele é aquele que vai para a cama tão bêbado que deveria dormir por vinte e quatro horas. Mas, logo de manhã cedo, procura desesperadamente pela garrafa que não sabe onde deixou na noite anterior.

Se suas posses permitirem, pode ter bebidas escondidas pela casa toda, para ter a certeza de que ninguém irá roubar-lhe todo o estoque para derramá-lo pia abaixo. Quando as coisas pioram, ele começa a tomar uma combinação de violentos sedativos e bebidas, a fim de acalmar os nervos para que possa ir trabalhar. Chega, então, o dia em que, simplesmente, não consegue fazer coisa alguma e, mais uma vez, torna a se embriagar. Talvez procure um médico, que lhe aplicará morfina ou algum sedativo em doses decrescentes. Começa, então, a frequentar hospitais e sanatórios.

Este caso não é de modo algum, uma descrição exata do verdadeiro alcoólico, pois nossos padrões de comportamento são variáveis. Mas pode dar uma ideia aproximada de seu modo de ser.

Por que ele se comporta assim? Se centenas de experiências já lhe mostraram que um gole significa outra queda, com todo o sofrimento e humilhação que traz consigo, por que ele toma aquele primeiro gole? Por que não consegue ficar sem beber? Para onde foram seu bom senso e a força de vontade que ele ainda consegue, às vezes, demonstrar em relação a outros assuntos?

Talvez nunca encontremos uma resposta completa para essas perguntas. As opiniões variam consideravelmente quanto ao motivo pelo qual os alcoólicos reagem de forma diferente das pessoas normais. Não temos a certeza da razão pela qual, uma vez atingido determinado ponto, muito pouco pode ser feito por ele. Não podemos decifrar a charada.

Bill W., cofundador de A.A.

Literatura do AA – Continua na próxima edição

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  • 02/07/2026