LSD: doce ilusão
O que é?
LSD é a sigla em alemão de Dietilaminda de Ácido Lisérgico, nome da molécula dessa substância. Ela foi sintetizada pela primeira vez em 1938 no laboratório suíço Sandoz, a partir de moléculas presentes no ergot, uma praga do trigo. O LSD é um alucinógeno do sistema nervoso mais poderoso que se conhece.
Normalmente ele é vendido sob a forma de quadradinhos de papel embebidos com a substância, em forma de pequenos comprimidos chamados de “doce” ou na forma líquida misturada em bebidas em geral. Ela pode ser usada sendo ingerida ( forma líquida e comprimido) ou coloca abaixo da língua ( forma de papel) para ser absorvida pelas mucosas da boca.
Efeitos:
A marca registrada da “viagem” de “ácido” são as ilusões visuais e sonoras. As pessoas veem coisas reais com formas distorcidas e cores mais vividas. Também é comum ocorrer alucinações que misturam os sentidos (sinestésicas): de olhos fechados, sons ganham formas e cores. Dependendo do ambiente e do estado de espírito da pessoa, essas sensações podem causar prazer ou pânico, a percepção do tempo normalmente é prejudicada, mas em geral o usuário não perde a memória, nem o contato com a realidade, quer dizer, ele sabe que está “vendo coisas” por causa da droga e costuma se lembrar da experiência quando ela acaba. A droga deixa as pupilas muito dilatadas, causa uma leve hipertensão e, às vezes, aumenta a temperatura do corpo.
A duração do efeito começa em cerca de 30 minutos e persiste por 3 a 12 horas, dependendo da dose e do conteúdo da droga.
Consequências:
- Físicas:
O LSD não afeta significativamente funções vitais como a respiração e os batimentos cardíacos, nem há relatos de morte por overdose da substância. Estima-se a dose fatal da droga seja de 300 a 50 mil vezes maiores do que a normal.
Raramente ocorre o processo de dependência física e psíquica. Apesar disto, a droga pode provocar tolerância quando é usada em dias consecutivos, porém com a interrupção do uso, a tolerância vai embora aos poucos sem provocar a conhecida síndrome de abstinência.
- Emocionais:
O principal risco oferecido pela droga são reações de pânico que às vezes precisam até de cuidados médicos, já que podem persistir por alguns dias. Em casos extremos, essas badtrips podem desencadear comportamento psicótico ou tentativas de suicídio.
Algumas pessoas que experimentam LSD voltam a sentir alguns efeitos da droga dias ou até anos depois, mesmo sem usá-la de novo. Em certos casos, estes efeitos persistem, causando o quadro psiquiátrico chamado de Desordem Perceptiva Persistente (DPP) induzida por alucinógenos que requer tratamento talvez pelo resto da vida.
- Sociais:
Muito usado em boates e em festas em geral, esta droga pode provocar uma sensação de pânico e de leveza corporal que o usuário tende a querer voar, a fugir pela janela ou mesmo pular de um viaduto.
Sob o efeito desta droga, o usuário fica mais vulnerável a fazer o uso das outras drogas como o álcool, maconha, cocaína, ecstase ou crack sofrendo as consequências físicas e sociais destas drogas.
Nos casos de distúrbios psiquiátricos, o usuário perde sua capacidade produtiva e sua interação social fica comprometida, trazendo sérios problemas para a família e para a sociedade como um todo.
Como é uma droga na sua forma líquida incolor e sem cheiro, a facilidade de uma pessoa fazer seu uso sem saber é grande, podendo provocar “viagens” não desejadas e perigosas.
Portanto, o LSD provoca esta doce ilusão de fugir da realidade por um tempo, mas a verdade sempre prevalece e esta “viagem” pode ter o destino da loucura e da morte.
Almanaque das drogas, Tarso Araujo – Editora Leya
Adaptação de Cláudio Martins Nogueira -psicólogo clínico.