A história de Bill – Co-fundador do AA (Alcóolicos Anônimos)
Capítulo 1 – parte 10
A história de Bill – Co-fundador do AA (Alcóolicos Anônimos)
Meu amigo havia enfatizado a absoluta necessidade de demonstrar estes princípios em todas as minhas atividades. Era, sobretudo, imperativo trabalhar com outros, assim como ele havia trabalhado comigo. A fé sem obras é morta, disse-me ele. E como isto é terrivelmente verdadeiro para o alcoólico. Pois se um alcoólico deixa de aperfeiçoar e ampliar sua vida espiritual através do trabalho e da dedicação aos outros, talvez não sobreviva aos transtornos e dificuldades que certamente surgirão em seu caminho. Se ele não trabalhar, com certeza beberá novamente. E, se beber, certamente morrerá. Aí, então, a fé estará realmente morta. Para nós, não há alternativa.
Minha mulher e eu nos dedicamos com entusiasmo à ideia de ajudar outros alcoólicos a encontrar uma solução para seus problemas. Foi uma sorte, pois meus antigos sócios nos negócios continuaram a não acreditar em mim por um ano e meio, período no qual pouco trabalho consegui. Eu não estava muito bem, na época, e fui atormentado por ondas de autopiedade e ressentimento. Isto quase me levava, às vezes, de volta à bebida, mas logo descobri que, quando todas as outras providências falhavam, o trabalho junto a outro alcoólico salvava meu dia. Várias vezes fui, desesperado, ao meu antigo hospital. Lá, conversando com alguém, sentia-me surpreendentemente revigorado e equilibrado. Este é um programa de vida que funciona nos momentos difíceis.
Começamos a fazer amigos leais e criou-se entre nós uma solidariedade da qual é maravilhoso sentir-se parte. Tínhamos realmente alegria de viver, mesmo sob pressão e em dificuldades. Vi centenas de famílias tomarem o caminho que verdadeiramente leva a algum lugar. Vi as situações domésticas mais difíceis serem reajustadas, inimizades e rancores de todos os tipos serem eliminados. Vi homens saírem de hospícios e reassumirem posições vitais em suas famílias e comunidades. Profissionais e homens de negócios recuperarem seus padrões de vida. Praticamente não existe, entre nós, qualquer forma de problema ou miséria que não tenha sido superada. Numa cidade do oeste e em seus arredores, somos, com nossas famílias, cerca de mil pessoas. Encontramo-nos frequentemente, a fim de que os recém-chegados possam encontrar a solidariedade que procuram. Nesses encontros informais, podemos ter, muitas vezes, de 50 a 200 pessoas presentes. Estamos crescendo em número e em força. (Em 2001, A.A. compreende cerca de 100.800 grupos em todo o mundo).
Um alcoólico embriagado é uma criatura desagradável. Nossas lutas com eles são às vezes árduas, às vezes cômicas, outras trágicas. Um pobre coitado cometeu suicídio em minha casa. Ele não conseguiu, ou não quis, aceitar nosso modo de vida.
Há, entretanto, muita alegria em tudo isto. Imagino que alguns possam ficar chocados com nossa aparente frivolidade e nosso falar excessivo. Mas, sob esta aparência, há uma extrema honestidade. A fé precisa agir, vinte e quatro horas por dia, dentro de nós e por nosso intermédio, ou morremos.
A maioria de nós sente não mais precisar ir em busca da utopia. Nós a temos conosco, aqui e agora. A cada dia, a conversa simples de meu amigo na cozinha de nossa casa multiplica-se num crescente círculo de paz na terra e boa vontade entre os homens.
Bill W., co-fundador de A.A.
Falecido em 24 de janeiro de 1971.
FIM DO CAPÍTULO 01
Literatura do AA – Continua na próxima edição