Digas com quem andas que eu te direi quem és
Digas com quem andas que eu te direi quem és
Este ditado é um retrato de uma face da nossa personalidade. Somos seres biológicos, herdeiros de uma estrutura física e talvez até psíquica em relação aos nossos antepassados. Além disto, somos seres sociais que recebem influências do meio em que vive. Com certeza, se nós tivéssemos nascido em outra época e emoutra cultura diferente da nossa, seríamos diferentes do que somos.
Assim, esta faceta social da nossa formação psíquica é muito importante. Com quem e onde andamos vai nos dizer muito da nossa personalidade, dos valores, das crenças, dos gostos e desejos. Exemplo clássico é o dependente químico. Na medida em que ele vai desenvolvendo a doença, ele vai se envolvendo somente com pessoas também dependentes químicos. O isolamento da família, da igreja e dos colegas de trabalho que não fazem uso destas substancia é inevitável. Com o tempo, o dependente passa a acreditar que todos do bairro estão usando drogas. O que ele não percebe é que ele conhece apenas os ditos “malucos”. Os chamados de “caretas” não fazem parte do seu ciclo social.
Desta maneira, este convívio social retroalimenta a adicção, ou seja, para ter uma relação amistosa com um usuário ele também tem que usar a droga. Ser aceito neste meio social implica neste uso. Quem não usa esta fora da roda e o mal estar se apresenta neste ambiente.
Portanto, sair da droga implica em evitar as pessoas e os ambientes onde a droga esta presente. Mais do que isto, para receber boas influências, o dependente deve começar a frequentar ambientes mais saudáveis e construtivos como os grupos de ajuda mútua, o profissional de saúde, a família e a igreja.
Isto vale para todos. Se recebemos influências continuas sobre tudo que vemos e ouvimos, nada melhor do que selecionar a qualidade destas influências. Só assim será possível construirmos uma vida mais saudável e sóbria.
Cláudio Martins Nogueira – Psicólogo clínico especialista em Dependência química e codependência