A história de Bill – Co-fundador do AA (Alcóolicos Anônimos) -cap.01 – parte 7
Capítulo 1 – parte 07
A história de Bill – Co-fundador do AA (Alcóolicos Anônimos)
Ele viera me transmitir sua experiência, se eu estivesse interessado. Eu estava chocado, mas interessado. É claro que eu estava interessado. Tinha que estar, porque estava desesperado.
Ele falou durante horas. Recordações de infância surgiam à minha frente. Eu quase podia ouvir o som da voz do pastor, nos domingos tranquilos, quando eu me sentava, lá longe, na encosta da colina. Havia aquele oferecimento de uma garantia de temperança que nunca aceitei. O desrespeito benevolente de meu avô para com alguns companheiros da igreja e sua conduta. Sua insistência em afirmar que as esferas celestes tinham sua música, mas sua recusa em admitir que o pregador lhe dissesse como deveria ouvi-la. Seu destemor ao falar sobre tudo isto pouco antes de morrer. Estas lembranças jorravam do passado. Elas fizeram-me engolir com a garganta seca.
Aquele dia, durante a guerra, na velha Catedral de Winchester, tornou a voltar.
Eu sempre havia acreditado num Poder Superior a mim. Refleti sobre isso muitas vezes. Eu não era um ateu. Poucas pessoas são realmente ateias, pois isso significa uma fé cega na estranha proposição de que este universo surgiu do nada e corre, sem rumo, para lugar nenhum. Meus heróis intelectuais, os químicos, os astrônomos, até mesmo os evolucionistas, propunham inúmeras leis e forças em ação. Apesar das indicações em contrário, eu não duvidava de que, por trás de tudo, havia um propósito e um ritmo poderosos. Como poderia haver tantas leis tão precisas e imutáveis e nenhuma inteligência? Eu, simplesmente, tinha que acreditar num Espírito do Universo, que desconhecesse tempo ou limites. Mas isto foi o mais longe que pude chegar.
Dos padres e de todas as religiões, eu discordava a partir daí. Quando eles falavam de um Deus pessoal, que era amor, força e orientação sobrenaturais, eu me irritava e minha mente de imediato se fechava diante de tal teoria.
A Cristo eu concedia a certeza de ter sido um grande homem, cujo exemplo não foi seguido bem à risca por aqueles que O reconheciam. Seus ensinamentos morais – excelentes. Para meu uso, eu havia adotado os que me pareciam convenientes e não muito difíceis. Do resto, não tomava conhecimento.
As guerras que haviam sido travadas, as fogueiras e as intrigas que as disputas religiosas haviam facilitado, deixavam-me enjoado. Honestamente, eu não tinha muita certeza de que, afinal, as religiões da humanidade houvessem feito algum bem. A julgar pelo que eu vira na Europa, e desde então, o poder de Deus sobre as questões humanas era insignificante e a Irmandade dos Homens uma piada cruel. Se existia um Diabo, ele me parecia ser o Chefe do Universo e, certamente, tinha-me em seu poder.
Literatura do AA – Continua na próxima edição