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A história de Bill – Co-fundador do AA (Alcóolicos Anônimos)
By Cláudio

A história de Bill – Co-fundador do AA (Alcóolicos Anônimos)

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Capítulo 1 – parte 05

A história de Bill – Co-fundador do AA (Alcóolicos Anônimos)

Meu cunhado é médico e, graças à sua generosidade e à de minha mãe, fui internado num hospital famoso nacionalmente por seu trabalho de reabilitação mental e física de alcoólicos. Sob o efeito do assim chamado tratamento de beladona, minha mente clareou. A hidroterapia e exercícios leves ajudaram bastante. O melhor de tudo foi conhecer um médico amável, que explicou que, embora egoísta e insensato, eu estava gravemente doente, física e mentalmente.

Fiquei um pouco mais tranquilo ao saber que, nos alcoólicos, a força de vontade torna-se incrivelmente frágil quando se trata de combater o álcool, embora permaneça firme sob outros aspectos. Meu inacreditável comportamento, a despeito de um desesperado desejo de parar, estava explicado. Capaz de me compreender melhor, saí do hospital cheio de esperanças. Ia regularmente a cidade e cheguei até a ganhar algum dinheiro. Aquela era, sem dúvida, a resposta: autoconhecimento.

Mas não era, pois chegou o apavorante dia em que bebi novamente. A curva descendente de minha decadência moral e saúde física desabou em queda livre. Depois de algum tempo, voltei para o hospital. Era o fim, parecia-me estar tudo acabado. Minha esposa, exausta e desesperada foi informada que tudo terminaria num ataque cardíaco durante uma crise de “delirium tremens”, ou que minha mente se deterioraria, talvez dentro de um ano. Ela, em breve, teria que me entregar ao agente funerário, ou a um hospício.

Não precisavam me dizer tudo aquilo. Eu sabia e quase me alegrava com a ideia. Era um golpe devastador em meu orgulho. Eu, que acreditara tanto em mim mesmo, em minhas aptidões e em minha capacidade de superar obstáculos, estava finalmente encurralado. Só me restava mergulhar na escuridão, acompanhando a interminável procissão de bêbados que me haviam antecedido. Eu pensava em minha pobre mulher. Tínhamos sido bem felizes, apesar de tudo. O que eu não daria para me redimir! Mas era tarde demais.

Não há palavras que possam descrever a solidão e o desespero que me dominavam naquele amargo pântano de auto piedade. Tudo ao meu redor era areia movediça. Eu havia encontrado um adversário imbatível. Eu fora dominado. O álcool era, meu senhor.

Trêmulo, eu era um homem arrasado, ao deixar o hospital. O medo me manteve sóbrio por pouco tempo. Depois veio a traiçoeira insanidade daquele primeiro gole e, no Dia do Armistício de 1934, desabei novamente. Todos estavam conformados com a certeza de que eu teria de ser confinado em algum lugar, ou continuaria cambaleando por algum tempo, até um fim miserável…

Literatura do AA – Continua na próxima edição

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  • 15/11/2025