fbpx
Em busca do amor dos pais – I
By Cláudio

Em busca do amor dos pais – I

Compartilhe

Em busca do amor dos pais – I

Introdução:

Ao término da minha palestra para quase 1000 pessoas no congresso do Amor Exigente, pude perceber a profundidade deste amor: o amor que temos pelos nossos pais.

Na introdução da minha palestra, provoquei a plateia a refletir sobre este tema (amor dos pais) , eu encontrei pouca literatura, poetas e compositores cantando este amor. O amor conjugal é o tema preferido deles. Pouco se sabe que jamais seremos felizes no casamento se não buscar o verdadeiro amor dos nossos pais.

Ao final da palestra, presenciei pessoas chorando, outras tendo uma crise emocional enorme e várias, centenas reconciliando com seus pais naqueles poucos minutos de reflexão.

Percebi naquele instante que teria que levar esta mensagem para os papéis, através da nossa revista online no site “portaldasobriedade.com.br” e, futuramente, em um livro com este título: Buscando o amor dos pais.

Tudo começou com uma experiência pessoal com meus próprios pais. Como a maioria dos jovens, os pais legais na minha adolescência e juventude eram os pais dos meus amigos. Venho de uma família simples e grande. Meus pais tiveram suas origens em fazendas, nunca sentaram num banco de escola. Tiveram 15 filhos e conseguiram criar, com bastante dificuldades, dez deles. 

Eles foram muito bem sucedidos. Segundo meus irmãos mais velhos e demais familiares, meus pais eram fazendeiros prósperos. Muito gado leiteiro e muitas plantações que possibilitava uma renda suficiente para sustentar aquele “exército” de filhos. Muita fartura de alimentos, mas poucos recursos de lazer e conforto. (naquela época era normal isto) no interior. Sem energia elétrica, sem água encanada, sem carro, sem médico e remédios.

Os filhos foram crescendo e meus pais tiveram que mudar para a cidade. Compraram uma casa em Jequitibá (cidadezinha próximo à fazenda) e ali montaram o armazém (comércio de variedades na época). Os filhos estavam chegando na idade escolar. Meu pai deixava minha mãe e os filhos na cidadezinha e ia todos os dias a cavalo trabalhar na fazenda.

Com a idade chegando, meu pai não tinha mais saúde para cuidar da fazenda (apresentou um problema grave de coluna). Os filhos em pouco tempo precisaram ir para o ensino do primeiro grau que em Jequitibá não tinha.

Venderam a grande fazenda “Espírito Santo” e compraram uma casa em uma cidade maior (Sete Lagoas) e muito dinheiro no bolso e pouca experiência em viver na cidade. Um irmão do meu pai propôs para ele montar uma empresa de ônibus em Belo Horizonte. Minha família mudou novamente para a capital. Infelizmente, a sociedade não deu certo e meus pais perderam quase tudo neste negócio.

Foi aí que o Cláudio veio ao mundo. No pior momento financeiro da minha família.  Vivenciei isto na barriga da minha mãe. Meus pais voltaram com os seus 9 filhos (um na barriga) para Sete Lagoas. Quase que minha mãe me perde próximo do nascimento. Ela contava que teve que ficar os últimos dias de gravidez em repouso absoluto.

A saga dos meus pais continuava. Em 19 anos tiveram 15 filhos. Montaram um armazém em Sete Lagoas e mantinham um “caminhão de leite”, assim era chamado o pau de arara onde ele fazia o transporte do leite, das galinhas, das pessoas, etc… das fazendas e sítios para a cidade. O Nivaldo, o famoso Nivaldo, trabalhou como trocador nas linhas de ônibus em BH e neste caminhão de leite. Teve pouco contato com meu pai e com os outros irmãos. Sempre muito trabalhador, mas já começava a dar trabalho para a família muito novo. Começou a beber e a fumar ainda muito novo (13/14 anos).

O armazém deu certo. Vendia muito e dava para sustentar o básico desta família gigante. Não tinha luxo, mas não faltava o básico. Todos os irmãos ajudavam nos trabalhos domésticos e no armazém. Meus pais eram muito católicos e todos os domingos, todos os filhos eram obrigados a ir à missa. Lembro ainda muito pequeno, meus pais rezando o terço com todos. Dormia mais que rezava…

Cresci e quando cheguei na escola, especialmente no segundo grau, fui estudar numa escola particular. A maioria dos alunos tinha origem em famílias ricas. Meus colegas andavam com roupas e calçados de marca enquanto eu andava de roupas simples e calçados populares. Tinha vergonha e isto me afetou muito minha autoestima. Eu queria andar como eles. Neste período que comecei a “perder” o amor pelos meus pais. Eles não davam para mim o que eu desejava.

Meu pai, o “dr. Spock” da série Jornada nas Estrelas. Frio e aparentemente insensível. Terceirizava toda a educação para minha mãe e minhas irmãs mais velhas. A preocupação dele era ensinar a gente trabalhar. Nunca foi numa reunião de escola e nunca me viu jogar bola. Ele não sabia, mas seu filho (meus outros dois irmãos também) eram muito bom de bola (goleiros).

Minha mãe, afundada nos trabalhos domésticos, tinha pouco tempo para nos alimentarmos com seu grande amor. Poucas lembranças boas tenho, mas elas são de uma profundidade enorme. Ela contando histórias para a gente dormir (e não raras vezes, ela dormia antes da gente de tão cansada) e ela fazendo mexido para a gente e dividindo o mesmo com todos nós. Ela sim, preocupava com os estudos de todos os filhos. Não tinha vergonha de procurar emprego para todos e bolsas de estudos com políticos, empresários e conhecidos.

Apesar destes pais incríveis e irmãos maravilhosos, a rebeldia e o pouco conhecimento da vida, eu fui me afastando dos meus pais e demorei muito para entender que tinha que buscar o amor deles para ser feliz. Antes disto, tive que quebrar a cabeça pelo mundo. Fali várias vezes e entrei em relacionamentos tóxicos, repetindo em vários momentos, a história tumultuada dos meus pais enquanto casal. Vivi a aquilo que os autores do livro “O amor é uma escolha”(1) chama de “compulsão por repetir” a história da família de origem como uma das origens da minha codependência.

Chegamos na codependência e na necessidade de buscar ajuda para, a princípio, ao meu irmão Nivaldo que, aos 44 anos, estava afundado no alcoolismo e no tabagismo. Nesta época, eu comecei a participar de uma filosofia japonesa chamada SEICHO NO IE(2). Fui em busca de resolver meus problemas financeiros e, para minha surpresa, vi que algo mais profundo do que isto era realmente a minha necessidade: precisava buscar o amor dos pais.

Aceitar meus pais com a história deles era o primeiro passo. O segundo era aprender a perdoá-los pelos seus erros e falhas e, para isto eu precisava compreender as histórias deles. Num terceiro momento eu deveria aprender a agradecer do fundo da minha alma os meus pais por tudo que eles fizeram e deixaram de fazer por mim.

Quando comecei a fazer este movimento, eu comecei a buscar verdadeiramente o amor dos meus pais. Comecei a ouvi-los mais e a aproximar mais deles. Consegui romper a barreira imposta pelo meu pai -Spock e dei o primeiro beijo nele. Isto foi libertador e a partir daí eu me senti mais filho e vi a essência dos meus pais maravilhosos que o Poder Superior me proporcionou.

Ao compartilhar um pouco desta história pessoal na minha palestra, senti que não só eu, mas a maioria do público possuía uma história semelhante com os seus pais. Este livro tem exatamente esta finalidade: buscar o amor dos nossos pais. Somente assim seremos capazes de sermos verdadeiramente felizes e prósperos ao longo da nossa vida e assim, contribuirmos com filhos melhores e uma família mais funcional.

Espero que as reflexões provocadas no decorrer destas páginas possam fazer com você algo mágico e impressionante: trazer sua sobriedade, sua prosperidade e a alegria de viver. Quando isto acontecer, passe este “milagre” para frente e jamais deixe quebrar esta corrente em busca deste grande amor dos pais.

Cláudio Martins Nogueira – Psicólogo Clínico – Especialista em D. Química e Codependência

  • No Comments
  • 08/11/2025