A proteção que desprotege
A proteção que desprotege
Num mundo tão violento que estamos vivendo é natural que a nossa preocupação com a segurança e o bem estar dos nossos entes queridos sejam uma das nossas prioridades.
Em relação aos nossos filhos entramos numa verdadeira obsessão em buscar a proteção deles a qualquer custo. Muitos pais proíbem seus filhos de subir numa árvore com medo dele cair, impede uma criança de correr com medo dela se machucar. Ela não pode jogar bola, andar de bicicleta, etc. Em resumo, elas não podem viver sua infância.
Esta mesma “proteção” perpassa na adolescência. Agora o medo são as drogas, as más companhias, a delinquência juvenil. A tentativa de controlar os supostos riscos pelos pais pode dificultar a convivência entre ambos. O adolescente já é um sujeito com consciência de si, sabe em parte dos seus direitos e das obrigações. É uma fase das próprias escolhas, certas ou erradas, o adolescente tem o direito de sofrer as consequências. A superproteção dos pais vai gerar a crise e o conflito será inevitável.
Portanto, caros pais, cuidado com esta proteção que desprotege. Acompanhar, monitorar, saber com quem seus filhos estão andando é importante, mas privá-los da liberdade de viver suas vidas é um crime e com certeza não vai funcionar.
Claudio Martins Nogueira – psicólogo clínico – Especialista em Dependência química e codependência