A história de Bill – Co-fundador do AA (Alcóolicos Anônimos)
Capítulo 1 – parte 04
A história de Bill – Co-fundador do AA (Alcóolicos Anônimos)
Pouco a pouco, as coisas foram piorando. O credor da hipoteca nos tirou a casa, minha sogra morreu, minha mulher e meu sogro adoeceram.
Surgiu, então, uma promissora oportunidade de negócios. Em 1932, as ações estavam em baixa e eu, de algum modo, havia formado um grupo de compradores. Minha participação nos lucros seria generosa. Então, tomei uma enorme bebedeira e a oportunidade foi pelos ares.
Acordei. Aquilo precisava parar. Vi que não podia tomar um gole sequer. Não tinha mais volta. Anteriormente, eu havia feito milhares de promessas, mas minha esposa constatou, satisfeita, que desta vez eu falava sério. E era verdade.
Pouco tempo depois, voltei para casa bêbado. Eu nem mesmo lutara. Para onde havia ido minha firme decisão? Eu simplesmente não sabia. Nem me passara pela cabeça. Alguém havia colocado uma bebida na minha frente e eu tinha bebido. Estaria louco? Comecei a achar que sim, pois tão absurda falta de perspectiva parecia ser exatamente isso.
Retomando minha decisão, tentei novamente. Algum tempo se passou e a confiança começou a dar lugar a uma excessiva segurança. Eu podia zombar dos botequins. Eu sabia tudo! Um dia, entrei num bar para telefonar. No mesmo instante, estava batendo no balcão, perguntando a mim mesmo como era possível. Enquanto o uísque me subia à cabeça, disse a mim mesmo que me controlaria mais da próxima vez, mas que naquela hora podia perfeitamente me embriagar de verdade. E foi o que fiz.
O remorso, o horror e o desespero da manhã seguinte são inesquecíveis. Não havia coragem para lutar. Meus pensamentos disparavam incontrolavelmente e eu tinha uma terrível sensação de calamidade iminente. Quase não me atrevi a atravessar a rua com medo de desmaiar e ser atropelado por algum caminhão madrugador, pois acabava de amanhecer. Num local aberto vinte e quatro horas, abasteci-me de uma dúzia de copos de cerveja. Meus nervos arrebentados finalmente se acalmaram. Um jornal matinal informou-me que o mercado se transformara outra vez num inferno. Pois é, eu também. O mercado iria se recuperar, mas eu não. Era uma ideia insuportável. Deveria me matar? Não, agora não. Então, minha cabeça virou uma grande confusão. O gim daria um jeito naquilo. Portanto, duas garrafas e… O esquecimento.
Literatura do AA – Continua na próxima edição