A “coleira” do afeto
A “coleira” do afeto
Recentemente, observei algo que me proporcionou uma reflexão bastante profunda sobre as relações afetivas. Uma senhora passeava com seu cão sem fazer uso da coleira. O belo cão passeava na calçada cheia de pedestres, mas não se afastava da sua dona. O que o prendia a esta senhora? A “coleira do afeto”.
Analisando as relações amorosas e afetivas dos seres humanos é possível perceber que muitas vezes queremos colocar coleiras nas pessoas que dizemos amar. Como é comum os pais quererem prender seus filhos em suas casas, em suas “coleiras” da imposição dos seus próprios desejos em detrimento da liberdade do outro. Queremos a qualquer custo ter o domínio do nosso “amor” e quando não conseguimos entramos em conflito e em um sofrimento sem limites.
O mesmo acontece quando a insegurança, o medo de perder meu objeto de amor, nos coloca numa postura de possessão, de domínio sobre o outro a qualquer custo. O ciúme nada mais é do que isto: uma “coleira de controle” na tentativa de dominar o outro. Nenhuma relação será saudável nestes termos.
Portanto, é necessário trocar a “coleira de controle” pela “coleira do afeto”. As pessoas devem entender que os seres humanos não são como objetos que podemos movimentar conforme os nossos interesses. Fica aí a dica!
Claudio Martins Nogueira – psicólogo clínico