O julgamento do Simão
O julgamento do Simão
Numa pequena cidade do interior existia um jovem senhor chamado Simão que era portador de sofrimento mental e de necessidades especiais (Não tinha um pé). Naqueles tempos antigos estas pessoas eram chamadas de “loucas e aleijadas” e as crianças normalmente zombavam deles. Com Simão não era diferente. Era o Simão aparecer catando garrafas e papelões usados que as crianças começam a gritar seu apelido: Hei Simão Lelê, cadê seu pé? Simão, no início levava na brincadeira, mas no fundo, o pobre do andarilho se sentia magoado e ofendido.
Durante muitos anos o senhor Simão teve que aturar estes delinqüentes juvenis repetindo as mesmas palavras que o ofendia tanto. Até que num triste dia, Simão pegou uma pedra e a lançou em direção a um menino que gritava todos os dias ao teu ouvido a famosa frase: Hei Simão Lelê, cadê seu pé? A pedra atingiu o menino acima dos olhos e foi fatal.
A confusão se instalou na cidade. O menino era filho do promotor de justiça da cidade e os melhores advogados da cidade grande vieram para condenar o pobre Simão. Um recém formado advogado da defensoria pública ia defender Simão. Não se falava em outra coisa na cidade.
No dia do julgamento, tudo estava pronto para colocar o miserável Simão na cadeia para sempre, quando chegou a hora do advogado de defesa falar:
– Excelentíssimo Senhor Juiz, vou contar a historia do meu cliente Simão!
Andou por todo salão e fazendo um suspense apavorante, voltou a repetir a mesma frase:
– Excelentíssimo Senhor Juiz, vou contar a historia do meu cliente Simão!
Repetiu isto cinco vezes até que o juiz, impaciente, bateu o martelo na mesa e gritou:
– Doutor, o que está acontecendo? , o Senhor esta desrespeitando uma autoridade e todos os presentes.
O jovem advogado respondeu:
– Excelentíssimo Senhor Juiz, alguns minutos de repetição incomodou a todos os presentes, inclusive o competente juiz de direito. Imagine o que o meu cliente passou durante vários anos de sua vida sendo incomodado por estas crianças?
Todos ficaram impressionados com a habilidade do inexperiente advogado e o Juiz absorveu o andarilho Simão encaminhando-o para um tratamento psicológico.
Autor desconhecido.