O pensamento codependente
By Cláudio

O pensamento codependente

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O pensamento codependente

Quando nos deparamos com a codependência, encontramos um verdadeiro desafio a ser enfrentado. Apesar de ser um transtorno (ou doença) que vai evoluindo ao longo da vida da grande maioria das pessoas, poucos já ouviram falar dela e muito menos sabem de suas origens e de como ela se desenvolve até chegar num estado de adoecimento físico, emocional e psíquico insuportável.

Como funciona sua mente? O que passa na cabeça de um codependente antes, durante e depois do uso da droga do seu ente querido? Como ele se relaciona com o outro? Quais são seus valores e crenças? Enfim, uma infindável de dúvidas e incertezas pairam no ar de todos. Visando esclarecer alguns destes pontos vai aqui algumas reflexões importantes para entendermos o pensamento do codependente:

1 – O pensamento codependente é fantasioso: na sua mente ele acredita que será capaz de salvar a vida não só do dependente como de todas as pessoas ao seu arredor. Ele pensa que é “a mulher maravilha” ou “o super homem”. Ele se sacrifica para que o outro não sofra querendo o tempo todo ser reconhecido e amado pelo outro. Com este pensamento, ao longo da vida, ele vai se sentindo desvalorizado e explorado por todos as pessoas que relacionam com ele.

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2 – O pensamento codependente é egoísta: na medida em que ele faz todo o sacrifício pelos outros dependentes na esperança de se sentir melhor e útil. Na prática não faz por amor, mas sim, muitas vezes por egoísmo e vaidade e pelo próprio bem estar. É estranho isto, mas é uma verdade. Por isto é que ele tem vergonha de assumir que tem um filho adicto e não tem se seu filho é um bom profissional bem sucedido.

Por esta maneira de pensar é que a maioria dos codependentes, quando resolvem o problema do seu ente querido dependente químico, abandona os grupos de apoio e o tratamento de maneira geral. Pouco importa com o problema dos outros.

3 – O pensamento codependente é viciado em dar: ao longo da sua relação com os seus dependentes, ele aprendeu a fazer tudo pelo outro para se sentir amado e valorizado, mesmo que para isto, tem que abrir mão dos seus desejos e necessidades. Ele não gosta de receber e detesta precisar de ajuda. Ele é viciado em ajudar. Seu maior temor é um dia cair na cama e precisar de cuidados dos outros. Sua maior satisfação é cuidar.

4 – O pensamento codependente tem dificuldades de agradecer: no seu egocentrismo desenvolvido, o codependente vai acumulando frustrações ao longo da vida, afinal, como ele não se valoriza, ninguém vai valorizá-lo. Quando ele percebe isto, os sentimentos predominantes vão ser a queixa, a frustração, a decepção e a sensação que não valeu a pena tanto sacrifício por este outro. Ele, na maioria das vezes se torna uma pessoa chata, mal-humorada e que todos são ingratos por não reconhecer seu sacrifício e dedicação. Só uma coisa diferencia o santo do condependente: O santo não reclama, já o codependente…

5 – O pensamento codependente desvaloriza o próprio sujeito: sua autoestima e a autoconfiança foram destruídas pela codependência. Ele pensa que não tem valor e que ninguém o considera como deveria. Assim, apesar de muitas vezes, serem bem sucedidos profissionalmente, pessoalmente se consideram um fracasso e os culpados por não conseguirem salvar os “pobres coitados” dependentes, afinal, é assim que eles enxergam o dependente

Assim posto, fica claro a necessidade de cuidar dos pensamentos do codependente. Se isto não ocorrer, o pensamento “doente” pode provocar recaídas frequentes.

Para tanto, o tratamento em grupos de apoio, grupos terapêuticos e psicoterapia com um bom psicólogo especialista na área pode ajudar.

O apoio espiritual também contribui com a melhora considerável dos pensamentos codependentes, trazendo como consequência uma melhora na sua qualidade de vida e no seu quadro clínico.

Cláudio Martins Nogueira

Psicólogo Clínico – Especialista em DQ e codependência

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  • 19/08/2024