Menores abandonados
Quando a gente ouve alguém abordar este tema “menor abandonado”, a nossa memória remete a cena de uma criança sem família, sem escola e sem os cuidados básicos de higiene e vestimentas. Uma criança vendendo bala nos sinais de trânsito logo toma conta do nosso imaginário.
Sim, estes menores abandonados são, sem sombra de dúvidas, um problema social grave que todos de alguma maneira devem se comprometer a pelo menos amenizá-lo. Porém, o que me chama a atenção são outros menores abandonados que chegam nos consultórios psicológicos e médicos. São menores que tem acesso a tudo material (melhores escolas, melhores celulares e computadores, residências confortáveis, passeios maravilhosos, mesadas “gordas”, uber, motoristas particulares, etc.) e se sentem abandonados pelos pais e demais familiares.
Menores abandonados da presença dos pais, do afeto, do jogar futebol juntos, do andar de bicicleta, do jogar dama, xadrez, ludo, banco imobiliário…
Menores abandonados do diálogo familiar, do contar histórias, do rezar juntos, do almoçar e jantar à mesa com toda a família reunida.
Menores abandonados da palavra de confiança, do elogio e do desenvolvimento da sua capacidade de trabalhar e de ser útil à sociedade
Menores abandonados nos seus quartos luxuosos, passando horas nos videogames, nos computadores, nos celulares sem nenhum limite e atenção dos pais.
Menores abandonados das suas condições de sujeitos das suas próprias histórias, eternos adolescentes dependentes dos pais e avós.
Menores abandonados nas festas raves, nas baladas da zona sul, nos êxtases, LSD’s, baseados, cocaínas e cracks.
Menores abandonados nos corredores das faculdades matando aula, transando sem camisinha, fazendo “pegas” com carros de luxo dos seus pais.
Vamos pensar nestes menores abandonados que sofrem tanto quanto os outros.