Os vendedores de sapatos
Uma grande indústria de sapatos decidiu ampliar sua atuação no mercado, expandindo suas atividades em uma região pobre da África. Para isto, treinou seus dois melhores vendedores para esta grande missão. Foram longos dias de cursos, de estudos da cultura e costumes daquele povo. Após todo um planejamento estratégico bem elaborado chegou o grande dia da aventura. Os dois representantes comerciais embarcaram no mesmo avião levando junto com eles caixas e mais caixas de sapatos e material publicitário para divulgar os modelos e a marca da empresa.
Chegando ao aeroporto numa simples cidade africana, cada um tomou seu rumo para iniciar a grande missão de encontrar clientes para seus produtos. O Marcos, um vendedor com mais de vinte anos de experiência, chamava a atenção de todos pela sua simpatia, sua facilidade de fazer amizades e conquistar as pessoas. Era um verdadeiro otimista nato. Ele sempre acreditava no seu potencial e nas boas oportunidades que a vida nos oferece. O outro vendedor, o senhor João era conhecido por todos pela sua disposição para o trabalho. Com trinta e cinco anos de experiência era um dos primeiros funcionários da empresa. Com determinação sempre batia suas metas de vendas e logo se acomodava, afinal, ele já tinha cumprido a parte dele. Diferente de Marcos, seu João era um homem mal humorado, mas muito disciplinado e organizado. Seu pessimismo era um companheiro fiel nos momentos difíceis. Tinha poucos amigos e era muito objetivo em suas vendas.
Após os primeiros dias de descanso da viagem e da adaptação nas suas residências, os dois vendedores saíram para efetuar as primeiras vendas. Para surpresa de ambos, naquele país a grande maioria da população não tinha o hábito de usar sapatos ou qualquer outro calçado. O costume era o caminhar descalço.
O senhor João ao perceber isto ficou apavorado. Como vou vender sapatos para quem nunca usou? Sem pensar duas vezes, tomou a iniciativa de ligar para o escritório no Brasil e comunicar aos seus superiores:
– Por favor, me mande às passagens aéreas para o meu retorno. Aqui ninguém usa sapatos. Não vou ficar aqui perdendo o meu tempo.
O Marcos teve uma reação oposta. Ao perceber que poucos usavam sapatos, tomou a inciativa de ligar para o seu chefe e disse:
– Chefe! Incrível! Pode mandar dobrar a produção de sapatos porque encontramos um país descalço. Já emprestei alguns modelos para alguns clientes sentirem como é gostoso e bonito os nossos sapatos e esta sendo um sucesso. Já estou lhe enviando os primeiros pedidos via e-mail. Uma rede de lojas já esta disposta a patrocinar o lançamento do nosso produto por aqui. Vamos lá gente! Para nós não existe crise, mas sim muito trabalho pela frente.
O chefe diante de posturas tão opostas entendeu a importância do nosso olhar diante do mesmo fato. Mandou as passagens para o vendedor pessimista e aumentou a comissão do otimista.
Autor desconhecido. Adaptação de Cláudio Martins Nogueira – Psicólogo – Especialista em dependências e codependência