O CTI da droga
O CTI da droga
Buscando sempre comparar a doença da dependência química com as outras doenças mais conhecidas, um dia eu me deparei com esta reflexão. Tomando como exemplo uma infecção qualquer, o processo de evolução da doença é gradativo. Normalmente a gente tenta resolvê-la com algum remédio caseiro ou indicado por algum parente. Se ela persistir, procuramos uma farmácia e por último um médico. Este vai prescrever o antibiótico de acordo com a gravidade da infecção. Ele vai marcar seu retorno depois de um tempo para verificar a eficácia da medicação. Na hipótese de ter piorado o seu quadro clínico o médico poderá optar por um remédio mais forte ou mesmo uma internação. Se mesmo assim, a infecção não regredir e estiver colocando sua vida em risco, ele poderá encaminhá-lo para o CTI.
Da mesma maneira ocorre com a dependência química. Temos que oferecer o tratamento de acordo com a gravidade da situação. Há casos de dependentes que estão iniciando o uso/abuso de drogas e seus familiares já providenciam um CTI para eles, ou seja, uma internação em Comunidades Terapêuticas ou mesmo em clínicas psiquiátricas de maneira compulsória. Esta iniciativa além de não ajudar, atrapalha. Imagine ocupar um CTI de um hospital com uma simples gripe? Muitos familiares fazem isto quando a doença é a dependência química.
Diante de uma notícia que alguém do nosso convívio esta fazendo uso de substâncias psicoativas é necessário seguir alguns passos importantes:
1º) – Não se desespere. Ele não é o primeiro e não será o último a fazer isto;
2º) – Procure avaliar com critérios objetivos a real situação. Busque mais informações sobre o tema. Verifique com outras pessoas próximas se elas já sabiam e o que sabem sobre este fato;
3º) – Se for possível, procure conversar com o usuário desprovido de críticas e preconceitos. Utilize um discurso de companheiro e de consideração. Pode começar a falar de como ele é importante para você. Isto aproxima as pessoas;
4º) – Procure se informar através de leituras específicas sobre as drogas, especialmente sobre os sinais de uso/abuso de drogas. Caso confirme as suas suspeitas, não demore a procurar ajuda especializada. (grupos de apoio, psicólogos e médicos);
5º) – Mesmo que o dependente recusar ajuda, comece o seu tratamento. Com ele você vai tratar da sua codependência e vai aprender a lidar com o problema e como sensibilizar o dependente a se tratar.
O último recurso deveria ser a internação. Assim como não podemos dispensar o CTI, jamais devemos descartar a hipótese de internação em uma Comunidade Terapêutica, afinal ela é o CTI da droga.
Cláudio Martins Nogueira – Psicólogo Clínico
Especializado em dependência química.