Agiota emocional
Estamos assistindo hoje, assustados, à desagregação da célula máxima da sociedade: a família. Massacrados por tantos problemas, a família vai perdendo a sua capacidade de educar, de criar valores religiosos e morais, além de ser seduzidas pelo materialismo e consumismo. Voltadas para o ter sem medida, sem princípios éticos, a família vai se afastando do ser (ser honesto, trabalhador, solidário, companheiro, etc.), propagando um verdadeiro genocídio social de gerações inteiras voltadas para a violência, para as drogas e para o poder sem escrúpulos. A corrupção, os desvios de dinheiros públicos e tantas outras mazelas são as consequências desta falência familiar.
Neste contexto, os pais contaminados pelo possuir, enveredam pelos caminhos da importância de construir um futuro promissor para seus filhos. Ter bens materiais, conforto e estudar em uma boa escola para ter muito dinheiro num futuro tão perto. Poucos se importam com a base espiritual dos seus filhos, em desenvolver o espírito de solidariedade entre os iguais.
Neste contexto, muitos familiares, especialmente pais e casais costumam estabelecer padrões de relacionamentos afetivos na base da cobrança. Cena comum no seio de nossas famílias são as eternas lições de moral dos nossos pais. O marido e a esposa vivem uma eterna relação de cobranças mútuas. Vivemos desta maneira um caus emocional. Todo mundo brigando com todo mundo. O prazer de uma convivência saudável e agradável vai aos poucos desaparecendo.
Como consequência disto, sem percebermos, vamos afastando uns dos outros. Os filhos, na medida em que encontram seus colegas, vão abandonando seus agiotas emocionais (pais e demais familiares), para enveredarem por caminhos difíceis e tortuosos. Pensando somente em dinheiro e sendo vítimas de um egocentrismo exacerbado, os jovens não conseguem estabelecerem relações humanas sem a atitude de verdadeiros agiotas emocionais. As cobranças são intensas e o prazo de pagamento tem que ser imediato. Os conflitos acabam sendo inevitáveis e toda a sociedade sofre com isto.
Portanto, renunciar a este lugar de “agiota emocional” é muito importante. É preciso que os pais resgatem o prazer de estar em companhia dos seus filhos sem muitas cobranças emocionais. Para isto, o conceito de poupança emocional é essencial. Assim como qualquer investimento financeiro, o investimento emocional é fundamental para que possamos construir laços afetivos prazerosos e duradouros capazes de construir os alicerces de uma relação mais eficaz e duradoura.
Pensa nisto meu amigo, minha amiga.
Claudio Martins Nogueira – psicólogo clínico. Especialista em dependências e codependência