Ser pai
O papel do pai está sofrendo grandes mudanças ao longo do tempo na nossa sociedade. Estas mudanças são um reflexo da transformação do lugar da mulher na família. Antes a mãe ficava em casa, criando seus filhos, trabalhando para manter uma boa estrutura familiar.
Todo o avanço que as mulheres conquistaram na sociedade refletiu na forma que o homem iria desempenhar seu papel na família. Agora o pai não será mais tão valioso, pois o antigo provedor foi substituído pela mãe que trabalha fora e que mantém os filhos. O antigo poder econômico que o homem detinha caiu por terra e deixou um vazio e várias questões. Qual será o novo lugar do pai na família?
A figura masculina exerce um papel fundamental frente à formação de uma criança, pois divide e ensina o filho a dividir o seu amor entre dois: mãe e pai. A ligação do filho com a figura materna é muito forte. É um amor carnal, que começa no ventre e passa por vários processos para diminuir o vínculo vital e a chegar a um parâmetro saudável. O pai é que entre nesta relação diminuindo este laço total entre mãe e filhos. Ele chega pedindo um espaço para si e chamando a atenção para sua importância na família.
Os homens necessitam de uma razão concreta para assumir seu espaço na família. Antes o motivo que todos direcionavam a sua importância era o fato de proverem financeiramente a sua prole. Hoje há uma falta de motivo. Estão deixando tudo ao encargo das mulheres. Elas buscaram a independência, mas talvez ocuparam espaço demais. Alguns homens, mesmo morando com suas famílias, ficam apagados pelas suas esposas. Elas não os deixam participar da educação e da resolução das questões familiares de seus filhos.
Muitas vezes por não saberem o seu papel junto à família, os homens se omitem, se afastam de seus filhos, vendo-os fora do papel de pai, como se não tivessem responsabilidade por eles. Acredito que isto leva os pais a abandonarem seus papéis. Os abandonos em questão é o abandono físico, indo embora, buscando outra família e o abandono psíquico, se distanciando emocionalmente.
Temos assistido a um aumento do número de famílias dirigidas por mulheres. Muitas delas têm obtido êxito criando seus filhos. Por outro lado várias pesquisas respeitáveis mostram uma relação da criminalidade e da violência com a falta da presença paterna na vida da criança e do adolescente.
Vemos que a figura paterna está fragilizada, precisando ser reorganizada, bem como os laços sociais. Não podemos só localizar o problema na relação familiar. A sociedade passa por uma crise muito séria de valores. Precisamos lutar para desenvolver novamente o respeito pelo outro, pela família, pela escola, pelo Estado de direito e pela justiça.
Dra. Renata Viegas