Criança executiva
Numa sociedade competitiva como a nossa, a cada dia as exigências de tarefas e compromissos sociais se tornam mais comuns e cada vez mais precoces. Nossas crianças estão sendo vítimas desta loucura em que todos de alguma maneira estão envolvidos. Pais e educadores executivos sem perceberem transferem este estilo de vida para seus filhos. Como suas agendas estão cheias de compromissos, é preciso preencher a agenda das suas crianças. Assim, o horário para pegar o ônibus escolar, a aula de natação, o futebol, o inglês, o curso de informática e o judô não podem faltar. A criança tem tempo para tudo, menos para o mais essencial: brincar.
Brincar não é brincadeira. É no brincar que a criança se socializa, desenvolvem suas habilidades motoras, sua criatividade e sua autoconfiança e autoestima. É no brincar com seus pares que ela se torna cidadã, em outras palavras, se torna gente.
Hoje as crianças não fazem o seu papagaio, não montam os seus brinquedos, não criam nada. Muitos ficam presos aos seus computadores com jogos viciantes que além de não movimentar o corpo, ainda estragam as vistas e provoca obesidade. E o pior, os pais adoram verem seus filhos “protegidos” dos perigos do mundo. Mal sabem eles que estão contribuindo para a formação, ou melhor, com a deformação deles. Crianças violentas, antissociais, egoístas, mesquinhas, hiperativas e desinteressadas nos estudos são normalmente o resultado desta deseducação.
Crianças executivas é um grande erro que nós cometemos. É preciso passear com nossos filhos nas praças, nos clubes, nas fazendas, nas praias, nas cachoeiras. É preciso deixar as crianças brincarem de verdade e não fecharem seus mundos nos shoppings e no isolamento dos jogos eletrônicos.
Mãos a obra!
Cláudio Martins Nogueira – psicólogo clínico