Lições para o futuro
By Cláudio

Lições para o futuro

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Extrair ensinamentos positivos daquilo que até pouco tempo atrás parecia uma tragédia é o passo seguinte. Lembra do colega que, vamos dizer, se adiantou a você na empresa? Talvez você agora veja que precisa ser mais discreto no ambiente de trabalho ou que deve escolher melhor com quem partilhar esse tipo de informação. É assim que o trauma é superado: deixando de olhar o passado e usando o aprendizado para situações futuras. Isso não significa esquecer o que ocorreu, mas interpretar o fato de outra forma.

Mais uma vez, há algumas dicas para saber se no fundo, no fundo, o rancor já passou. Primeiro, verifique se você ainda tem raiva ou se deseja se vingar do agressor. Se a resposta for sim, ainda que discretamente, você ainda não chegou lá. Deliciar-se com a punição do outro também não é um bom indicador do perdão sincero. Se você rolou de rir quando o colega que passou a mão na sua ideia foi mandado embora, você é normal, tudo bem, mas ainda está preso ao episódio. A indiferença também não resolve. “Se a pessoa que te magoou não significa nada para você, é sinal de que você ainda não perdoou”, diz Adriana Carbone.

O ideal é que ambos, vítima e agressor, se considerem no mesmo patamar. A terapeuta familiar Maria Amália Faller Vitale, professora da PUC de São Paulo, ilustra a situação com uma metáfora: o agressor tem uma dívida moral com a vítima. Se a vítima nunca o perdoar, vai continuar sempre endividado, com uma conta impagável. “O perdão se traduz em uma ação que permite o reequilíbrio em uma relação”, diz Mara Amália. Mas essa é uma conta diferente, pois o pagamento da dívida depende do credor, e não do endividado.

Tudo pode ser perdoado, mas cada um sabe seus limites pessoais e se é possível superá-los.

E a reconciliação?

Terminada a hipoteca, cabe a você decidir se quer se reconciliar com quem o feriu. “O perdão não significa que eu vá voltar a me relacionar com a pessoa. Se ela faz coisas que não me agradam, eu me afasto”, diz o psicólogo Alexandre Rivero. “Você consegue reconhecer o perdão quando você se sente feliz com você, mesmo antes de se sentir melhor com o outro”, completa Adriana Carbone.

O teste final para saber se seu coração perdoou mesmo o agressor é, segundo a receita do psicólogo Frederic Luskin, recontar o episódio depois. Se de repente você perceber que deixou de ser a vítima coitadinha e passou a ser uma espécie de protagonista da sua própria história, alguém que enfrentou a mágoa e ainda conseguiu ficar em paz consigo mesmo, você pode acreditar que encontrou o pote de ouro atrás do arco-íris. “O perdão é uma coisa difícil, quase impossível, mas, quando eu perdoei, foi como se um anjo tivesse tirado um peso do meu coração. E ficou tudo azul”, diz Kelly, depois de ter superado a raiva por seu atropelamento.

Os benefícios não param por aí. A saúde também sorri para quem perdoa. “A falta do perdão gera mágoa e sentimentos que deixam feridas abertas dentro das pessoas. Quando falamos em perdão, falamos em fechar feridas. Há pesquisas que mostram que há pessoas com câncer que são ressentidas, com muitas mágoas”, diz o psiquiatra Wimer Bottura. Mais específico ainda, um estudo publicado por Fred Luskin mostra que quem exercita o perdão fica menos nervoso, menos estressado, tem maior vitalidade física, e, ufa, mais confiança na sua capacidade de lidar com os problemas da vida.

Na época da minha bisavó, não existia nenhuma dessas pesquisas. Mas hoje, sabendo de tudo isso, dá para desconfiar que perdoar tem algo a ver com ela ter vivido tantos anos.

Dá até para se reconciliar com o agressor, mas é preciso sempre lembrar-se da lição que aprendemos.

O trabalho é árduo, mas se fica bem feitinho dá até para pensar em tentar reconciliação.

Para saber mais leia o Livro “O poder do perdão”

Fred Luskin

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  • 21/08/2026