O professor pessimista
By Cláudio

O professor pessimista

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Certa vez, um jovem professor fez uma dinâmica com seus alunos do ensino médio de uma rede pública de ensino de uma pequena cidade do interior do Mato Grosso. Cada aluno deveria escrever uma redação com um tema bastante sugestivo. De maneira direta o professor escreveu a seguinte frase no quadro negro:

– Qual é o seu sonho para o futuro?

Todos os alunos começaram a escrever suas redações. Alguns foram muito objetivos e fizeram seus textos como tópicos, sem desenvolvê-los. Com bastante realismo, cada aluno escrevia coisas como um dia ter um diploma, um bom emprego, um bom casamento e uma família bem formada.

Somente um aluno se envolveu realmente com seus sonhos. De cabeça baixa, Marquinhos se debruçava no seu quase “livro” de três folhas já preenchidas. O mestre ficou curioso para saber o que passava na cabeça daquele pobre garoto. Sabia das dificuldades que os pais dele passavam trabalhando como lavradores numa grande fazenda da região. Todos os alunos já tinham terminado e Marquinhos continuava ali, empenhado na sua missão de escrever sobre seus sonhos.

Na outra semana, o professor entregou as redações para seus alunos com suas notas. Para surpresa de Marquinhos ele tirou nota zero na redação. Sem entender aquilo foi perguntar ao seu mestre o motivo de uma nota tão ruim. O pessimista professor respondeu:

– Isto que você escreveu não é sonho. É uma fantasia de um garoto. Como pode um filho de lavradores que mal tem o que comer vai ser dono de uma fazenda com 10.000 cabeças de gado e com milhares de pés de café e tantas outras baboseiras que você colocou nestas linhas.

Marquinhos não respondeu nada, simplesmente pegou sua redação e, bastante chateado, voltou para sua carteira.

Passado cerca de 30 anos, um homem bem arrumado parou na porta daquela escola. Desceu de sua caminhonete novinha e procurou a diretora. Identificou-se como ex-aluno e gostaria muito de ter notícias do professor Moacir, afinal, ele tinha lhe ajudado muito na sua vida. A diretora lhe informou que ele se encontrava na mesma sala de aula. O doutor Marcos, sem muito que dizer, foi em direção ao seu ex-professor. Chegando lá, interrompeu sua aula e pediu para conversar com ele. O professor pediu licença aos alunos e chegou até a porta da sala. Ele pensou que se tratava de um pai de um dos seus alunos, quando Marcos retirou do seu bolso a redação de 30 anos atrás e disse:

– Professor, talvez você não se lembre, há 30 anos você me deu zero nesta redação. Hoje vim aqui para lhe dizer que todas estas “fantasias” viraram sonhos que se realizaram.

O professor pessimista, com lágrimas nos olhos deu-lhe um abraço afetuoso e humildemente lhe pediu perdão. O professor aprendeu com esta lição que nunca deveria desacreditar dos sonhos dos seus alunos.

Autor desconhecido. Adaptação: Cláudio Martins Nogueira.

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  • 10/08/2026