Viciados no trabalho: pra que trabalhar tanto?
Você já ouviu falar em workaholic?
É uma expressão americana que teve origem na palavra alcoholic (alcoólatra).
Serve para denotar uma pessoa viciada, não em álcool, mas em trabalho.
As pessoas viciadas em trabalho sempre existiram, no entanto, esta última década acentuou sua existência motivada pela alta competição, necessidade (talvez mais adequado fosse dizer obsessão) por dinheiro, vaidade, sobrevivência ou ainda alguma necessidade pessoal de provar algo a alguém ou a si mesmo (a).
Como resultado da influência de uma pessoa viciada em trabalho pode-se perceber geralmente alguns fatos interessantes: o primeiro deles é que este tipo de pessoa geralmente não consegue se desligar do trabalho mesmo fora dele, acabam por deixar de lado seu parceiro (a), filhos, pais, amigos, aliás, os melhores amigos passam a serem aqueles que de alguma forma tem ligação com seu trabalho.
De outro lado, esta pessoa sofre por trazer para si uma qualidade de vida muito ruim, pois as pressões do dia-a-dia e a auto cobrança exagerada fazem com que este tipo de profissional tenha insônia, surtos de mau humor, impotência, atitudes agressivas em situações de pressão ou desconformidade (com os resultados que ele esperava) e pode-se chegar a ter depressão, entre outros efeitos danosos.
Mas uma das mais severas consequências é o medo de fracassar. Este medo condiciona e impulsiona o viciado a estar tentando sempre mais a busca por resultados cada vez melhores. A palavra fracasso causa arrepios neste profissional.
É preciso ter ambição, querer crescer e prosperar, mas na dose certa. A ambição na dose certa funciona como algo propulsor, mas exageradamente pode levar a um comportamento compulsivo, exagerado. Como diz o meu pai, tudo de mais faz mal, até água.
Todos querem ter uma história de sucesso, mas muitos dedicam mais de 12 horas por dia a este intento, e acabam não aproveitando o fruto do seu trabalho, os resultados que aparecem servem de degrau para se querer ir além, sem ao menos desfrutar do que já se conseguiu.
É uma bola de neve, quem é viciado em trabalho acaba perdendo os amigos que já não o procuram porque sabem que não tem tempo. A família acaba criando outro ritmo de vida alheio ao mundo do viciado, brigas, discussões acabam ocorrendo. O pior é que a tendência como em qualquer vício é dilatar as doses do veneno como alguém que começa a fumar, no começo fuma um, dois, cinco, depois de algum tempo já esta fumando uma carteira, em casos extremo pode chegar a três carteiras por dia ou mais.
Segundo estudos a felicidade, o bem estar é que são geradores de produtividade, os viciados em trabalho perdem ao não conseguirem tempo para abstrair, pensar na própria vida, conseguir olhar de lado, corrigir os erros e os caminhos, afinal se o caminho tomado foi o errado, por mais que se corra, só se estará indo mais longe só que para a direção errada.nSempre é possível administrar as nossas “outras vidas” fora do trabalho.
Pode parecer lugar comum, mas quantidade não significa necessariamente qualidade, e a maioria dos viciados não consegue perceber ou distinguir esta diferença que apesar de óbvia não é seguida. O equilíbrio ainda é o melhor caminho, afinal existe tempo para viver e tempo para morrer, aqueles que estão envolvidos de forma tão contundente em seu trabalho e que não percebem mais nada a sua volta, de certa forma são mortos vivos.
Saiba entender os motivos que o levam a trabalhar. A pergunta “pra que trabalhar tanto?” pode ajudar. Se for preciso procure ajuda, afinal, sua vida e da sua família é muito mais importante do que seu trabalho.
Fábio Luciano Violin,
Mestre em Estratégias e Organizações – UFPR
Especialista em Planejamento e Gerenciamento Estratégico – PUC-PR
Professor universitário, palestrante e consultor de empresas.
flviolin@hotmail.com ou flviolin@terra.com.br
Adaptação: Cláudio Martins Nogueira
Obs.: Indicação de leitura sobre o tema: O sucesso é ser feliz – Dr. Roberto Shinyashiki