Em busca do amor dos pais – parte 6
Em busca do amor dos pais – parte 6
- Os pais e o olhar da psicologia
B) A mãe: A mãe sempre cumpriu, na grande maioria das culturas e civilizações, as funções de cuidadora e protetora, não só dos filhos, mas também do lar e do próprio marido. Isto explica em parte, o famoso conflito entre as esposas com suas sogras, de alguma forma, ambas disputam o lugar de cuidadora do eterno “adolescente ou bebê” da mamãe.
Para Sigmund Freud, “a função materna é fundamentalmente o primeiro objeto de amor e desejo do ser humano, desempenhando um papel crucial na constituição psíquica, na satisfação das necessidades pulsionais e na relação com o mundo. Mais do que apenas cuidados físicos, é uma função de mediação e investimento afetivo”. Em outras palavras, a mãe introduz o bebê no mundo do desejo e da satisfação. O bebê vai se constituindo afetividade na relação com este primeiro objeto de amor: a mãe.
“Para Freud então, a função materna é a porta de entrada para a humanização do sujeito, transformando um ser biológico (bebé) em um sujeito psíquico através do amor e da introdução das primeiras limitações (falhas).
Na sociedade contemporânea, vivemos também uma crise desta função materna por vários motivos que cabe aqui uma reflexão:
- – A mulher mãe, ao assumir as responsabilidades de uma vida profissional, começou a ficar com menos tempo disponível para este bebê. O pouco tempo que tem na maioria das vezes esta cansada, exausta e impaciente, dificultando assim sua relação afetiva com seu bebê.
- – Neste contexto, a mãe não raras vezes, terceiriza esta função para avós, babás ou para o maternal (as famosas tias). Com esta quase ausência desta função materna desta mãe, é comum o sentimento de culpa dominar esta mãe ausente e, como uma tentativa de “pagar” esta falha, procura supri-la com bens materiais (brinquedos, roupas, alimentos, guloseimas, celulares, videosgames, etc).
- – Assim, a formação do sujeito psíquico, emocional e afetivo fica comprometida. O vazio de amor se instala e o afeto é transmutado para os bens materiais. Na ânsia de preencher este vazio existencial, de maneira inconsciente, o bebê, a criança e o adolescente começam a produzir sintomas físicos, emocionais e comportamentais, todos com o objetivo de chamar a atenção desta mãe.
- – Para agravar ainda mais esta situação, a codependência dos pais e demais cuidadores vai provocar uma educação sem limites e bastante permissiva, facilitando assim o desenvolvimento de compulsões diversas e até mesmo a própria dependência química no futuro;
- Se não bastasse tudo isto, as dependências químicas e comportamentais (jogo, celular, trabalho, comida, etc) dos próprios pais nos leva ao caos familiar. Nossos filhos perdem a oportunidade de amadurecer psiquicamente com o suporte dos pais e demais familiares.
- – Quando o pai não entra, a mãe se mantém conectada de maneira excessiva a este filho. Esta relação simbiótica filho/mãe vai se tornando tóxica. Um fica preso no outro, dificultando o desenvolvimento de ambos.
Diante de tudo isto, não é necessário ser um terapeuta para perceber como é importante os pais buscarem ajuda para suas questões pessoais e conjugais. Eles fazem parte do problema e podem fazer parte da solução. Quer ajudar seus filhos? Comece primeiro ajudando a vocês mesmos.
Continua na próxima edição
Claudio Martins Nogueira – Psicólogo Clínico – Especialista em dependência química e codependência.