Aprendendo a caminhar
By Cláudio

Aprendendo a caminhar

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Uma criança de um ano começa a dar seus primeiros passos. Para tanto, desde o seu nascimento, o processo de desenvolvimento é constante. Ao nascer, o bebê pouca coisa consegue fazer. Ele não anda, não fala, enxerga pouco e seus movimentos são apenas reflexos. Na medida em que ele vai crescendo, vai adquirindo novas habilidades, começa a virar na cama, a acompanhar com olhos o movimento dos adultos e descobre rapidamente um grande recurso de comunicação: o choro.

Em pouco tempo, começa os exercícios físicos para aprender a caminhar. Inicia-se o engatinhar, explorar o ambiente físico, descobrir um mundo novo até então totalmente desconhecido. Este engatinhar vai fortalecer sua musculatura, sua coordenação motora, seus reflexos, além de ampliar seu convívio social.

Muitos pais, na ânsia de proteger seus filhos do perigo, dificultam esta fase tão importante para o desenvolvimento saudável da criança.

O uso do “cercadinho” e o famoso “voador” é muito cômodo apenas para os pais. Para o bebê é um grande obstáculo para seu desenvolvimento.

Portanto, cabe aos pais proporcionar um ambiente seguro e confiável para que a criança possa exercer as suas habilidades e o seu processo de exploração natural.

Fazendo uma analogia com as outras fases do desenvolvimento humano, na adolescência novos desafios vão ter que ser enfrentados pelos adolescentes. A escolha sexual, a escolha profissional, a conquista da auto-estima, do parceiro(a), tudo é um eterno “aprender a caminhar”.

Na idade adulta, os compromissos, a construção de um lar, uma família, a aquisição dos bens materiais, os desafios da educação dos filhos e na 3ª idade, a descoberta de um tempo que já passou e o restante dos dias que faltam. A elaboração do luto pela uma vida que passou tão rápido…

Diante de tantos desafios, muitas vezes adotamos estratégias de abandono, de retirada, de afastamento.

Na infância, uma fuga comum das dificuldades é a negligência no processo de aprendizagem, a criança se recusa a aprender, fixando-se em uma fase específica como uma forma de dizer aos pais e educadores: “não estou seguro para enfrentar novos desafios”. O bloqueio emocional é o principal causador das dificuldades escolares. Cabe aos adultos responsáveis por esta criança encaminhá-la ao psicólogo ou ao psicopedagogo para ajudá-lo a superar este bloqueio.

Na adolescência, a fuga mais comum é o uso de drogas. Com elas, o adolescente diz um “não” ao processo de amadurecimento psíquico evitando o enfrentamento das dificuldades da vida.

Na idade adulta, a fuga predominante é a produção de sintomas psíquicos e corporais. A depressão, a ansiedade, o stress, as doenças psicossomáticas, a obesidade, etc..

Portanto, aprender a caminhar ao longo da vida é fundamental para superarmos nossos desafios e dificuldades. Buscar “anestésicos” e fugir não vão acrescentar em nada na nossa vida. Pensem nisto!

Cláudio Martins Nogueira – Psicólogo Clínico – Especialista em DQ e Codependência

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  • 23/05/2026