A Bela adormecida
By Cláudio

A Bela adormecida

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A Bela adormecida

Uma das mais famosas histórias infantis sem sombra de dúvidas é a da Bela Adormecida. Tirando a inocência e o romantismo contido nesta história é possível fazer uma nova leitura sobre ela.

A jovem vitima de um feitiço, passa cem anos em sono profundo e é resgatada pelo príncipe apaixonado. É ele, movido por este amor, que enfrenta todas as dificuldades da vida: luta contra o dragão, enfrenta a bruxa malvada, coloca em risco sua própria vida superando todos os desafios, libertando a sua princesa com um romântico beijo deste terrível mal.

Da mesma forma que a princesa da história, há quem espere pela solução mágica de seus problemas, que o livre da necessidade de enfrentar as dificuldades da vida. Transfere para terceiros estes desafios. De maneira egoísta, fica “dormindo” no seu comodismo e aguarda ansiosamente que o outro resolva seus problemas.

Muitas pessoas esperam o milagre sem nenhum esforço. É comum inclusive que elas peçam ao outro: “ore por mim porque eu estou precisando”. A preguiça ou a “doença” da desmotivação e da depressão tomou conta de sua alma. Ela não consegue reagir, mas não se envergonha de culpar os outros dos seus infortúnios e tristezas.

Este “príncipe” portador da sua liberdade pode ser o companheiro (a), os pais, o patrão, o governo, a igreja, o próprio “Deus”. A “terceirização” da sua liberdade e felicidade é um caminho arriscado, pois na verdade este príncipe não é um “super-herói.” Além disto, é um grande risco colocar nas mãos do outro o nosso próprio destino.

Desta maneira alguns reagem diante das dificuldades como a princesa, ou seja, fica “dormindo” esperando o seu salvador. Outros reagem como o príncipe, pondo em risco a sua vida para salvar sua donzela.  Em outras palavras, a atitude da “bela adormecida” é a atitude do dependente, enquanto que a atitude do “Príncipe salvador” é a atitude do codependente.

Ao contrário do que fala na história, na vida real o príncipe codependente jamais vai salvar sua princesa “dependente”. Para que isto ocorra será preciso que o codependente abra mão deste sentimento controlador sobre o outro e toma uma atitude para que o dependente saia do seu comodismo.

Portanto, se queremos ser felizes e alcançar a verdadeira liberdade é necessário lutar por isto. Sair desta posição aparentemente cômoda da Bela Adormecida e ir à busca de maneira ativa do príncipe, não em direção da liberdade do outro, mas sim, da nossa própria liberdade.

Cláudio Martins Nogueira – psicólogo clínico

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  • 22/05/2026