A responsabilidade pela recuperação
A responsabilidade pela recuperação
A responsabilidade pela recuperação sempre é do dependente químico.
Se ele tiver uma família saudável, estruturada e disposta a apoiar, ótimo: isso facilita o caminho, dá sustentação emocional e ajuda a criar um ambiente mais seguro. Mas ainda assim, o compromisso continua sendo dele. Família alguma recupera alguém. Família apoia, quem muda é o dependente.
E quando a família não é saudável e muitas não são a responsabilidade permanece exatamente no mesmo lugar: com ele.
Porque recuperação não é herança, não é transferência, não é favor.
Recuperação é decisão, atitude e enfrentamento diário. É assumir a própria doença sem terceirizar a culpa, sem esperar que o mundo conserte o que só ele pode reorganizar por dentro.
Ter uma boa família ajuda.
Não ter uma boa família torna o processo mais desafiador.
Mas nada disso muda o fato central: quem quer sobriedade precisa fazer a parte que só ele pode fazer.
A família pode complicar, facilitar, confundir ou apoiar, mas ela não recupera ninguém.
A recuperação é, e sempre será, responsabilidade do dependente químico.
Sem mais!
Gabriela Abdalla.
Meu comentário:
Concordo com o texto, porém é importante ressaltar que, não só a família pode ser uma facilitadora do tratamento (quando tratada) ou uma facilitadora do adoecimento (quando codependente), mas também os profissionais de saúde, os grupos de apoio, as Comunidades Terapêuticas e as Clínicas Terapêuticas possuem parte desta responsabilidade nesta recuperação.
Sempre vejo, na desistência ou exclusão de um residente dentro de um regime de internação toda a responsabilidade cair sobre o dependente químico. Raras vezes os responsáveis pelo acolhimento e tratamento fazem uma reflexão crítica sobre os serviços que estão oferecendo à família e ao dependente.
Cada um deve assumir sua parcela de responsabilidade, ou seja, o paciente assumindo o seu protagonismo da sua recuperação e os profissionais aperfeiçoando o cuidado e a atenção aos familiares e adictos.
Cláudio Martins Nogueira – Psicólogo Clínico – Especialista em dependência química e codependência a 35 anos.