A história de Bill – Co-fundador do AA (Alcóolicos Anônimos)
Capítulo 1 – parte 08
A história de Bill – Co-fundador do AA (Alcóolicos Anônimos)
Mas meu amigo estava sentado à minha frente e, sem rodeios, declarava que Deus havia feito por ele o que ele não pudera fazer por si mesmo. Sua força de vontade humana havia falhado. Os médicos o haviam declarado incurável. A sociedade estava a ponto de mandá-lo prender. Assim como eu, ele admitira a derrota total. E, então havia sido ressuscitado, subitamente arrancado do monte de lixo para uma qualidade de vida melhor do que tudo o que já havia conhecido!
Estaria nele a origem de tal poder? Era óbvio que não. Nunca houvera nele mais poder do que existia em mim naquele instante e isso queria dizer absolutamente nenhum.
Aquilo me derrotou. Começava a parecer que as pessoas religiosas tinham razão, afinal de contas. Havia ali alguma coisa, agindo sobre um coração humano, que operara o impossível. Minhas ideias a respeito de milagres foram drástica e imediatamente revistas. Não importava o desastroso passado. Do outro lado da mesa da cozinha, estava sentado um milagre. E anunciava boas novas.
Eu percebia que meu amigo estava muito mais do que internamente reformulado. Estava num novo caminho. Suas raízes agarravam-se a um novo solo.
Apesar do exemplo vivo de meu amigo, permaneciam em mim vestígios de meus velhos preconceitos. A palavra Deus ainda despertava certa antipatia. Quando era mencionada a ideia de que poderia existir um Deus especial para mim, esse sentimento se intensificava. Eu não gostava daquele pensamento. Podia admitir concepções como Inteligência Criativa, Mente Universal ou Espírito da Natureza, mas resistia à ideia de um Imperador dos Céus, por mais amoroso que fosse seu controle. Desde então, tenho conversado com inúmeras pessoas que pensavam do mesmo modo.
Meu amigo sugeriu o que me pareceu uma ideia original. Ele disse: “Por que você não escolhe a sua própria concepção de Deus?”
Esta colocação me atingiu em cheio. Derreteu a gélida montanha de intelectualidade à sombra da qual eu vivera e tremera durante vários anos. Sentia a luz do sol, finalmente.
Era apenas uma questão de estar disposto a acreditar num Poder Superior a mim. Nada mais me era exigido, para dar a partida. Percebi que o crescimento poderia começar daquele ponto. Sobre as bases de um absoluta boa-vontade, eu poderia construir o que via em meu amigo. Será que eu o faria? É claro que faria!
Desta forma convenci-me de que Deus se interessa por nós, seres humanos, quando realmente O buscamos. Por fim, eu percebia, sentia e acreditava. Camadas de orgulho e preconceito desprenderam-se de meus olhos. Um novo mundo se descortinava.
O real significado de minha experiência na Catedral atingiu-me como um raio. Por breves instantes, eu havia precisado e buscado Deus. Existira em mim uma simples boa vontade para tê-Lo comigo – e Ele viera. Mas, logo, a sensação de Sua presença fora apagada pelo vozerio terreno, sobretudo pelo que havia dentro de mim. E assim havia sido desde então.
Literatura do AA – Continua na próxima edição