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O Patrão Intolerante
By Cláudio

O Patrão Intolerante

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O Patrão Intolerante

Teixeira começou a trabalhar como operário na fábrica do sr. Aristides. Oito anos se passaram, e hoje Teixeira é o gerente geral de produção. Nesse período ele se formou em engenharia da produção, fez MBA, diversos cursos de extensão e aprendeu dois idiomas.

Sr. Aristides não estudou, ele aprendeu na prática, com o mercado. Começou a fábrica no terreno vazio ao lado de sua casa, na periferia, mas por necessidade do que por qualquer outro motivo.

Teixeira começou a ter um maior contato com o sr. Aristides nos últimos dois anos, quando foi promovido, mas sabia muito bem como ele era rígido e intolerante com os funcionários. Nos últimos meses Teixeira vinha tentando implantar suas ideias, baseado no que aprendeu durante todo o período de estudo e experiência na fábrica. Ele pesquisava o mercado, principalmente o internacional, e acompanhava as tendências e projeções futuras. Teixeira queria inovar para tirar a fábrica da estagnação em que se encontrava. Mas o sr. Aristides era tradicional, como gostava de se definir.

– Sr. Aristides, nós precisamos nos atualizar, qualificar nosso pessoal. Além disso, precisamos ouvir as ideias deles, o que eles pensam…

– Garoto, eu estou no mercado há mais de 30 anos, e sobrevivi. O que nós precisamos é de máquinas funcionando e operários produzindo. E o que eu espero de você é que isso continue funcionando assim.

– Mas, sr. Aristides, o faturamento não para de cair. Alguns de nossos clientes estão comprando até no mercado internacional…

– Eu já passei por várias dificuldades esse tempo todo, isso é só mais um modismo.

– Sr. Aristides, os tempos agora são outros. E se eu não posso colocar em prática as minhas ideias, se o senhor não quer nem mesmo escutá-las, eu vou pedir demissão.

– Então nem precisa pedir demissão! Já está demitido! Eu não tolero gente que acha que sabe mais do que eu.

Teixeira foi embora e, com a experiência de mercado, o networking e o conhecimento que acumulou durante todo esse tempo, montou a sua própria fábrica e se tornou concorrente do sr. Aristides. Dois anos depois sua fábrica era um sucesso total, fornecendo até para o mercado internacional. Teixeira então recebeu uma visita inesperada.

– Garoto, você sabe que eu fui à falência, né? Perdi tudo o que eu tinha… Vim aqui pedir para te ajudar a dirigir a sua fábrica. Você vai ganhar muito com a minha experiência de….

Teixeira o interrompeu:

– Desculpe sr. Aristides, mas na minha fábrica eu não tolero ninguém que seja intolerante. E não tolero gente só olha para o próprio umbigo e não quer enxergar as mudanças que acontecem o tempo todo. Não tolero gente que ficou no passado e não quer se atualizar. Se o senhor estiver disposto a mudar, eu posso lhe dar um emprego aqui na produção.

– Garoto, eu estou no mercado há mais de 30 anos, e ninguém vai me dizer o que fazer!

Teixeira ficou aliviado com a resposta que recebeu.

Fonte: internet

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  • 18/08/2025