É dando que se recebe
É dando que se recebe
Este ditado na verdade é uma frase da oração de São Francisco de Assis, um santo da Igreja Católica que pregava o amor, a paz e uma vida simples a favor dos pobres e necessitados. Sua obra foi tão maravilhosa que seu processo de santificação na igreja durou apenas dois anos, o menor tempo de todos os santos.
Longe de questionar este santo homem, gostaria aqui de refletir sobre um aspecto importante que parece que passou despercebido por este estimado santo. Quando se trata de uma relação de convivência com um dependente químico este princípio não funciona tão bem assim.
Num contexto de duas pessoas equilibradas e bem organizadas socialmente este ditado é um fato. Aliás, todas as relações saudáveis são pautadas por ele, ou seja, quando damos algo de nós, o outro tem a tendência de retribuir de alguma maneira.
Infelizmente, na relação do codependente com seu dependente existe uma situação patológica, isto é, doentia. O codependente é viciado em dar enquanto que o dependente é viciado em receber. Desta maneira quanto mais o codependente dá menos ele recebe e o pior, mais o dependente exige deste codependente.
Portanto, a família deve entender este ditado como o “dar” no sentido de dar um limite, uma lei, uma regra, um confronto, uma educação, um “não”. Somente assim o dependente tende a sair deste lugar do pedinte e resolve assumir a responsabilidade de sua vida.
Que São Francisco me perdoe, mas esta observação é pertinente na realidade de hoje.
Cláudio Martins Nogueira – Psicólogo especializado em dependência química –