– Meu amigo não voltou do campo de batalha, senhor. Solicito permissão para ir buscá-lo.
– Permissão negada, replicou o oficial. Não quero que arrisque a sua vida por um homem que provavelmente está morto.
O soldado, ignorando a proibição, saiu, e uma hora mais tarde regressou, mortalmente ferido, transportando o cadáver de seu amigo.
O oficial estava furioso:
– Já tinha dito que ele estava morto! Agora eu perdi dois homens! Diga-me: valeu a pena trazer um cadáver?
E o soldado, moribundo, respondeu:
– Claro que sim, senhor! Quando o encontrei, ele ainda estava vivo e pôde me dizer: “Tinha certeza de que você viria!”
Amigo verdadeiro é aquele que chega quando todos já se foram.
Meu comentário:
Esta história apesar de pequena é uma grande lição. Trazendo para o campo da dependência e codependência temos que levar em consideração alguns pontos importantes:
1 – Para ajudar o outro precisamos estar preparados: O soldado ainda estava em condições físicas e técnicas para fazer este salvamento. Assim como ele, nós codependentes primeiro temos que cuidar de nós, afinal, estamos tão “feridos” quanto o outro soldado.
2 – Para ajudar o outro precisamos fazer por amor: O amor é incondicional e exigente ao mesmo tempo. Todo o movimento de salvação tem que ter este sentimento. Se existir a raiva, a mágoa, a revolta ou mesmo só a obrigação, está fadado ao fracasso esta iniciativa;
3 – Para ajudar o outro precisamos ser leais: e desenvolver a empatia. E se fosse o contrário? E se eu tivesse agonizando no campo de batalha? Eu esperaria meu amigo ir me buscar? Se fosse você que tivesse afundado nas drogas e pedisse ajuda gostaria de ser acolhido pelo seu pai e sua família?
Família verdadeira é aquela que chega quando todos já se foram
Cláudio Martins Nogueira – Psicólogo Clínico – Especialista em dq