Em busca do amor dos pais – parte 4
- Os pais e o olhar da psicologia
- Freud e a psicanálise
“Não consigo pensar em nenhuma necessidade da infância tão intensa quanto a da proteção de um pai.” Freud, em O mal estar na civilização nos convida a refletir sobre a função paterna. Na sua teoria do aparelho psíquico ele desenvolve o conceito de Id, Ego e Superego.
O ID como uma instância psíquica movida pelo princípio do prazer. Basicamente, oriundo de um conteúdo inconsciente, o ser humano desde a mais tenra idade busca incessantemente o prazer. Um bebê ao nascer só interessa a satisfação imediata. Não só as necessidades fisiológicas, como também as necessidades do afeto. É neste sentido que ele desenvolve o conceito de sexualidade infantil perversa, ou seja, o bebê não está apenas atrás do leite, ele está também atrás da satisfação sexual perversa (não visa a procriação) e sexual no sentido da afetividade.
O SUPEREGO que seria a instância psíquica movida pelo princípio da realidade. Ele vai colocar limites no prazer desenfreado do ID. É o Superego que coloca as regras de convivência social. A civilização, para sobreviver enquanto sociedade organizada, construiu instituições capazes de estabelecer estes regramentos sociais. Podemos destacar as principais:
- A família – Foi a primeira que, segundo Freud, surgiu a partir do momento em que o homem se tornou bípede (andou apenas com os pés). A partir daí ele olhou para a fêmea e estabeleceu aí a afetividade entre eles. A mãe passou a colocar o bebê no colo e aí nasceu a família.
- A religião – A ideia de um Poder Superior também tem seu nascedouro nos primórdios da raça humana. Os fenômenos da natureza incapazes de serem controlados, passaram a ser nomeados e cultuados como “deuses”. As primeiras tribos e até mesmo os homens das cavernas já estabeleciam critérios de certo e errado, mal e bom, pecado e virtudes com objetivo de controle social sob ótica dos deuses.
- O Estado de direito – Além das leis divinas, era necessário estabelecer leis humanas capazes de regular uma convivência pacífica entre os membros da tribo. Daí nasceu a legislação regida por líder com seus juízes.
- A escola – Esta instituição da formação do superego é a mais recente, pelo menos da forma que ela se encontra estruturada nos dias de hoje. O papel primordial a princípio era passar o conhecimento, um ofício e uma profissão. Com os anos, ela também passou a fazer parte no processo de educação afetiva e emocional, sendo assim importante para ajudar a inserir o superego naquela criança, adolescente, jovem e até mesmo nos adultos.
O EGO – Oriundo de tudo que o sujeito vivenciou no seu ambiente social (família, religião, escola e estado mais a sua herança genética e individual (predisposição). O Ego será o gerenciador de tudo isto e o responsável da formação daquilo que chamamos de Personalidade. É ele que vai nos dizer sobre “qual prazer que eu posso ter dentro de um contexto social”
Na próxima edição, iremos refletir sobre cada uma destas instituições, especialmente o papel da família neste processo. Abordaremos a função paterna e materna e como elas são diferentes e complementares na formação da personalidade do ser humano.
Continua na próxima edição
Claudio Martins Nogueira – Psicólogo Clínico – Especialista em dependência química e codependência.