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Dependência Química e a Figura Paterna: Ausência, Abandono e Silêncio
By Cláudio

Dependência Química e a Figura Paterna: Ausência, Abandono e Silêncio

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Dependência Química e a Figura Paterna: Ausência, Abandono e Silêncio

Na trajetória de muitos dependentes químicos, a figura paterna aparece como ausente, frágil ou emocionalmente distante. Não se trata apenas de ausência física, muitas vezes o pai estava ali, mas sem presença afetiva, sem escuta, sem vínculos profundos. E isso deixa marcas.

O vazio deixado pela ausência paterna

A ausência da figura paterna pode gerar:

Lacunas na construção da identidade;

Dificuldade de confiar em figuras de autoridade;

Sentimentos de abandono, rejeição e desvalor;

Busca por afirmação, pertencimento ou alívio em grupos, substâncias e comportamentos de risco.

A figura paterna e o papel da autoridade emocional

O pai tem, simbolicamente, a função de estruturar o “limite”, a lei, a referência de direção no mundo. Quando esse papel não é cumprido, o indivíduo pode crescer sem um senso claro de autonomia, autocontrole e segurança interna — fragilizando sua capacidade de lidar com frustrações e impulsos.

Ausência não gera codependência, mas gera feridas

Diferente da relação simbiótica comum com a mãe, a relação com o pai ausente não se caracteriza como codependência.

Não há um laço de ajuda contínua, mas sim um vínculo rompido ou nunca plenamente formado, gerando um “buraco afetivo” que muitos tentam preencher de outras formas — inclusive com drogas.

O não-dito e o silêncio masculino

O modelo tradicional de masculinidade muitas vezes impede o pai de expressar afeto, vulnerabilidade ou cuidado verbal. Muitos homens foram ensinados a “prover”, mas não a conectar emocionalmente. Isso cria gerações de filhos carentes de validação emocional, especialmente os meninos.

O abandono paterno não grita como a superproteção materna, mas silencia fundo na alma. Cuidar da dor da ausência é tão importante quanto cuidar da dor do excesso.

Autora: Áurea Ferraz – Psicóloga – Especialista em DQ e SAÚDE MENTAL

Meu comentário:

A codependência do pai também acontece, porém ela se manifesta de maneira diferente da codependência da mãe. O cuidado acontece com os provimentos e, no desespero, pela coação, omissão ou até mesmo pela violência e agressividade.

Costumo pontuar dois tipos de codependência: A do PAVÃO (normalmente presente na mulher) onde diante do perigo do gavião no galinheiro, ele grita, bate as asas e voa procura ajuda. Já o codependente AVESTRUZ (normalmente acomete os homens) se manifesta colocando o pescoço num buraco para não ver o perigo. Neste último caso, ela se manifesta na negação, enquanto no primeiro, na salvação.

Cláudio Martins Nogueira – Psicólogo Clínico – Especialista em DQ e CODE

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  • 29/11/2025