A espera que luta
A espera que luta
Nietzsche dizia que a esperança é o pior dos males, porque prolonga o sofrimento. E talvez ele tivesse razão quando falava da esperança passiva, que paralisa. Aquela que se traveste de fé para justificar a inércia. Que se vende como consolo, mas funciona como veneno.
Mas existe outro tipo de esperança. Uma que não se ajoelha, que não mendiga salvação. A esperança ativa a que se move mesmo com medo, que cava seu caminho no escuro, que constrói destino onde só havia ruína.
Sobriedade, Amor-Exigente, é isso. Um ato contínuo de escolha. Uma esperança que age. Que não espera do mundo o que o mundo nunca prometeu. Porque esperar, quando bem compreendido, é um verbo violento. É segurar o próprio coração com firmeza enquanto tudo ao redor grita para desistir. É caminhar com propósito mesmo quando não há garantias.
A verdade é que ninguém vai te salvar. Nem amor, nem família, nem fé isolada. A única coisa que o tempo traz, inevitavelmente, é a morte. E até ela tem preferências: começa pelos que pararam de viver muito antes de parar de respirar.
Quem age enquanto espera já entendeu que o tempo não é promessa. É sentença. E cada segundo desperdiçado é um passo em direção à irrelevância. Na recuperação, isso fica ainda mais claro. Ou você se levanta e se responsabiliza, ou vai sendo apagado, aos poucos, pela própria omissão.
Os fracos esperam que o mundo melhore. Os fortes moldam o mundo com as próprias mãos mesmo que sangrem.
Agir enquanto espera é recusar ser apenas mais um na multidão dos conformados. É dizer com o corpo, com a mente e com a alma: se o destino existe, então que ele corra atrás de mim.
Porque sobriedade, Amor-Exigente, não é sorte. É decisão. É construção. E só quem constrói com ação tem o direito de esperar.
Autora: Gabriela Abdala – Psicóloga – Especialista em DQ