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Dependência Química, Codependência e a Relação com a Figura Materna
By Cláudio

Dependência Química, Codependência e a Relação com a Figura Materna

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Dependência Química, Codependência e a Relação com a Figura Materna

A dependência química não afeta apenas quem faz uso da substância. Ela se enraíza nos laços familiares, muitas vezes sustentada por vínculos afetivos fragilizados, ambíguos ou superprotetores e em muitos casos, a figura materna ocupa um lugar central nessa dinâmica.

A mãe no centro do cuidado (e do sofrimento)

Na cultura brasileira, a mãe é vista como símbolo de amor incondicional, doação total e sacrifício. No contexto da dependência química, isso pode se transformar em superproteção, tentativas de controle excessivo ou negação do problema.

A mãe pode:

Assumir a responsabilidade que cabe ao filho;

Tentar “salvar” o dependente a qualquer custo;

Negar a gravidade da situação por medo da culpa ou da vergonha.

O ciclo da codependência

A codependência é um padrão emocional em que a vida de uma pessoa gira em torno da dor, do comportamento e das necessidades do outro. No caso da mãe de um dependente químico, isso se manifesta em:

Desgaste emocional intenso;

Dificuldade de impor limites;

Culpa por “não ter feito o suficiente”;

Tentativa constante de “curar” o outro, esquecendo-se de si mesma.

Quando o cuidador adoece

Mesmo com boas intenções, a mãe pode acabar reforçando a dependência ao evitar que o filho encare as consequências de seus atos. Esse vínculo pode ser simbiótico, onde o amor se mistura ao medo, e a ajuda se transforma em aprisionamento mútuo.

A importância da psicoterapia familiar

Para romper esse ciclo, é fundamental olhar para a história familiar:

Como foi construída a relação mãe e filho?

Que dores estão sendo repetidas?

Que papéis cada um assumiu ao longo da vida?

O tratamento eficaz da dependência química passa pelo fortalecimento da família, mas isso exige que cada membro reconheça seu papel, suas dores e cuide também de si.

A Codependência materna não é fraqueza, é um grito por ajuda, por novos caminhos e por cura. Cuidar da mãe também é cuidar do dependente

Áurea Ferraz – Psicóloga Clínica – Especialista em Dependência Química

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  • 08/11/2025