Dependência Química, Codependência e a Relação com a Figura Materna
Dependência Química, Codependência e a Relação com a Figura Materna
A dependência química não afeta apenas quem faz uso da substância. Ela se enraíza nos laços familiares, muitas vezes sustentada por vínculos afetivos fragilizados, ambíguos ou superprotetores e em muitos casos, a figura materna ocupa um lugar central nessa dinâmica.
A mãe no centro do cuidado (e do sofrimento)
Na cultura brasileira, a mãe é vista como símbolo de amor incondicional, doação total e sacrifício. No contexto da dependência química, isso pode se transformar em superproteção, tentativas de controle excessivo ou negação do problema.
A mãe pode:
Assumir a responsabilidade que cabe ao filho;
Tentar “salvar” o dependente a qualquer custo;
Negar a gravidade da situação por medo da culpa ou da vergonha.
O ciclo da codependência
A codependência é um padrão emocional em que a vida de uma pessoa gira em torno da dor, do comportamento e das necessidades do outro. No caso da mãe de um dependente químico, isso se manifesta em:
Desgaste emocional intenso;
Dificuldade de impor limites;
Culpa por “não ter feito o suficiente”;
Tentativa constante de “curar” o outro, esquecendo-se de si mesma.
Quando o cuidador adoece
Mesmo com boas intenções, a mãe pode acabar reforçando a dependência ao evitar que o filho encare as consequências de seus atos. Esse vínculo pode ser simbiótico, onde o amor se mistura ao medo, e a ajuda se transforma em aprisionamento mútuo.
A importância da psicoterapia familiar
Para romper esse ciclo, é fundamental olhar para a história familiar:
Como foi construída a relação mãe e filho?
Que dores estão sendo repetidas?
Que papéis cada um assumiu ao longo da vida?
O tratamento eficaz da dependência química passa pelo fortalecimento da família, mas isso exige que cada membro reconheça seu papel, suas dores e cuide também de si.
A Codependência materna não é fraqueza, é um grito por ajuda, por novos caminhos e por cura. Cuidar da mãe também é cuidar do dependente
Áurea Ferraz – Psicóloga Clínica – Especialista em Dependência Química