Drogas eletrônicas: dependência silenciosa
By Cláudio

Drogas eletrônicas: dependência silenciosa

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Drogas eletrônicas: dependência silenciosa

            Talvez um dos maiores desafios para os pais e educadores nos dias de hoje sem dúvida é o uso indiscriminado de celulares e demais componentes eletrônicos. Juntamente com o uso das drogas químicas, é possível perceber milhões de adolescentes, jovens e adultos, perdendo o controle destas ferramentas de comunicação do mundo moderno.

Quais pais que já não tiveram vontade de jogar o vídeo games, o computador ou mesmo o celular dos seus filhos lá no meio da rua? Qual professor já não teve vontade de sair da sala diante de alunos que, de maneira desrespeitosa com o mestre, faziam uso dos mesmos durante a aula? Enfim, problemas diversos como isolamento, obesidade, agressividade, apatia, preguiça, inadequação social, doenças como dores de coluna, artrites, LER (Lesão do Esforço Repetitivo), problemas de visão, dificuldades no processo de aprendizagem, de estudos, falta de atividade física, além de problemas psíquicos como depressão, ansiedades, fobias diversas, distúrbios do sono, etc.

Todo este processo se agrava quando levamos em consideração os conteúdos nem sempre adequados para as idades dos usuários. Sites de conteúdo pornográfico, de terror ou violência são verdadeiras “bombas relógios” acionadas que em algum momento na fase adulta poderão serem detonadas.

Portanto, conhecer um pouco este mecanismo de dependência e suas possíveis consequências, bem como algumas alternativas para evitar todos estes males se torna indispensável.

  1. O processo de dependência eletrônica

Estudos recentes da neurociência nos mostra que os vícios comportamentais tais como o jogo, o trabalho, o esporte, o comer excessivo, o sexo abusivo, o apego a uma pessoa e os entretenimentos em geral podem provocar uma descarga de neurotransmissores e de hormônios capazes de proporcionar prazer ao individuo. Se ele tiver a predisposição orgânica de desenvolver a dependência, este processo evolui da mesma forma que acontece com as dependências químicas. Em outras palavras, tudo não deixa de ser químico, provocando alterações na mente, no corpo e na psique do sujeito.

  • Os meios
  • – A TV: recentemente bastante popularizada através dos canais pagos e no maior numero de opções nos canais abertos. Possui forte influencia cultural, na maioria das vezes negativa. Alguns programas como novelas podem provocar uma dependência tamanha que a pessoa deixa de viver a vida real para se alienar na vida dos personagens e nas tramas envolvidas na história.

 São horas a fio diante da telinha. Isto pode provocar alienação psíquica, perda de tempo, preguiça, ociosidade, afastamento e conflitos entre os membros da família. Milhões de pessoas deixam de ler um livro, de ir à academia, de ir a uma igreja, de visitar um amigo ou parente, de até mesmo voltar a estudar e fazer um curso para se aperfeiçoar. A tela da TV pode provocar, assim como qualquer outra droga, um processo de alienação da realidade, criando um mundo fantasioso e unifocal, ou seja, o foco está voltado apenas para a próxima dose, ou melhor, o próximo capítulo.

2) – O computador: além dos jogos eletrônicos, dos filmes e novelas baixados, o conteúdo dos sites podem ser ameaçadores. Sem nenhum pudor, qualquer adolescente ou mesmo uma criança pode ter acesso a sites pornográficos, de terror, de violência e a redes sociais de estranhos, além é claro, do comércio de drogas, de armas e de sexo.

 Os pais, na ilusão de que em casa seus filhos estão protegidos, incentivam o uso destes eletroeletrônicos. Sem nenhuma supervisão de adultos, nossos jovens estão sendo “formados”, ou melhor, deformados neste contexto. A violência, o tráfico de drogas, a vulgarização do sexo e a irresponsabilidade nas vias urbanas tem uma boa parte de participação deste poderoso meio de comunicação: a internet.

3)– Os celulares: para agravar a já tão difícil situação dos vícios da TV e dos computadores, surgiu os celulares que possuem tudo que existe destes aparelhos ao alcance das nossas mãos sem precisar parar em local para acessá-lo. É como se o dependente de drogas sempre tivesse sua droga de preferencia em suas mãos durante 24hs por dia. É isto que está acontecendo nos dias de hoje: o caus.

Por tudo isto, todo o cuidado é pouco, especialmente para nossas crianças e adolescentes. Se sentir que a situação está saindo do controle, procure ajuda profissional.

Cláudio Martins Nogueira -psicólogo clínico.

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  • Maio 17, 2024
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