Nos “bastidores” da droga
By Cláudio

Nos “bastidores” da droga

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Nos “bastidores” da droga

Procurando refletir sobre as questões afetivas e emocionais por trás da dependência química, hoje chamado do TUS (Transtorno de Uso de Substancias Psicoativas), é possível perceber que nos seus bastidores tem algo muito mais profundo do que apenas um uso de substancias.

Estudando com mais cuidado e observando o comportamento de um dependente químico encontramos algumas características recorrentes:

1 – Uma imaturidade assustadora. Sua idade cronológica não condiz com sua imaturidade psíquica;

2 – Um nível de frustração extremamente baixo. Qualquer coisa que acontece é motivo para se frustrar;

3 – Um vitimismo predominante. É um eterno insatisfeito e que acredita que o mundo não dá a ele aquilo que ele merece;

4 – Um eterno adolescente “pidão”, sempre querendo ganhar algo;

Devido a todas estas características, não é difícil entender que frequentemente ele começa tudo e não termina nada. Esta é uma realidade muito cruel para ele e que, de alguma forma, ele procura fugir dela através da droga.

A droga é apenas mais um objeto de satisfação instantânea que alivia essa dor de existir. Tudo que nos dá prazer pode fazer este papel para uma personalidade tão frágil. Enquanto sente prazer não sente dor. Assim ele vai em busca do prazer e foge da dor.

Na medida em que ele encontra este caminho de “anestesiar” a dor, dois fenômenos psíquicos entram em cena: A obsessão e a compulsão.

A Obsessão: Pensamentos repetitivos e constantes. O sujeito “só pensa naquilo”. Sua mente foi dominada pelo seu pensamento. Ele não consegue controlar este processo que, vai trazer como consequência a fissura, ou seja, um desejo incontrolável de fazer aquilo que a mente exige.

A compulsão: é a concretização deste comando mental. É a repetição constante do ato. O uso sem nenhum freio, sem nenhum controle e trás como consequências problemas diversos como financeiros, familiares, sociais e de saúde que, em situações extremas, pode levar à morte.

O que é interessante notar que podemos ter vários objetos psíquicos (assim são chamados pela psicologia) que podem produzir vícios, que exercem funções semelhantes ao da droga. Os mais comuns são: jogos, comida, sexo, trabalho, esportes, estudos, pornografia, masturbação, celulares, TV, medicamentos, dinheiro, poder, política, religião, pessoas, etc..

É importante considerar que o problema não está no objeto psíquico, está na forma que lidamos com eles. Normalmente, encontramos alguns sintomas tóxicos nesta relação:

  1. – A presença da obsessão ( pensamentos repetitivos sobre o objeto)
  2. – A presença da compulsão (não consegue controlar o uso)
  3. – Muito tempo desprendido na relação com o objeto, afetando as outras áreas da vida
  4. – Pessoas infelizes e tentam se esconder com o prazer imediato;
  5. – Conflitos familiares e sociais com muita frequencia, inviabilizando um convívio saudável
  6. – O desenvolvimento da tolerância e da dependência física e emocional do objeto;

Dentro do exposto, fica muito claro que por trás da “droga” existe uma “droga de vida”, onde a espiritualidade e a paz interior passam longe. Se não pararmos para pensar nestes “bastidores da droga”, iremos tentar apagar incêndio com gasolina. Trabalhar as questões afetivas e emocionais é fundamental para um bom processo de recuperação. Além disto, tratamentos alternativos como relaxamento, meditação e espiritualidade podem fazer toda a diferença.

Os grupos de ajuda mútua cumprem, além destes papeis colocados aqui, viabiliza um retorno gradual do sujeito dependente ao convívio social, fato este essencial para uma recuperação sustentável.

Se você se enquadrou neste texto, não tenha vergonha e busque ajuda. Sozinho dificilmente vai conseguir superar a obsessão e a compulsão. 

Cláudio M. Nogueira – Psicólogo Clínico – Especialista em DQ e codependência

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  • Janeiro 14, 2024
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